A situação “mais do que crítica” da Volkswagen, nas palavras do próprio CEO de uma das montadoras mais tradicionais do mundo, coloca sob pressão as filiais espalhadas pelo globo.
A reestruturação em curso poderá atingir cerca de 100 mil empregos, com foco na Alemanha.
O grupo tem mais de 630 mil funcionários, principalmente na Europa e na China, mas também em países como México e Brasil. Nesta semana, a direção realiza uma série de reuniões na Alemanha para tentar avançar no plano de cortes de custos – um primeiro plano de 50 mil demissões já está em curso.
O presidente do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, disse que a empresa e a indústria automotiva alemã como um todo enfrentam “a maior turbulência de sua história”, em meio a um cenário econômico global desfavorável e à concorrência da China.
Além disso, os custos da produção na Europa estariam mais de 30% acima dos concorrentes.
Blume reconheceu que “não vê como as fábricas de Emden, Hannover, Zwickau e Neckarsulm poderão permanecer lucrativas na próxima década”.
Diante do avanço dos modelos elétricos chineses, a maior fabricante de veículos da Europa enfrenta o desafio do excesso de produção, com um excedente anual de 500 mil unidades no continente.
As margens atuais da Volkswagen, de em torno de 4%, são insuficientes para financiar os investimentos em novas tecnologias, produtos e fábricas. Plantas como a de Osnabrück poderão migrar para outros setores industriais, como a defesa.
O mercado chinês, pilar da rentabilidade da marca alemã por décadas, desmoronou: no segundo trimestre, as vendas da Volkswagen no país caíram 31% no período de um ano.
Para piorar, a guerra comercial dos Estados Unidos impacta ainda mais na conta, em especial sobre a Porsche e a Audi, controladas pela Volkswagen. As tarifas americanas pesam cerca de € 5 bilhões anuais para o grupo.
Neste contexto delicado, as negociações com os sindicatos de trabalhadores e governos estaduais na Alemanha – o da Baixa Saxônia é um grande acionista do grupo – ocorrem sob tensão.
O poderoso sindicato IG Metall alertou que não aceitará o fechamento de fábricas.
Milad avalia que cortes mais drásticos de custos serão inevitáveis e permitirão ao grupo atuar de forma mais globalizada. “Pode ser uma oportunidade para a Volkswagen do Brasil, que tem zero problemas.
Não vejo nenhum tipo de risco. Tem uma rede de concessionários gigante, uma das maiores que a gente tem aqui, uma marca muito forte e um histórico consolidado”, salienta.
O especialista menciona a expertise na fabricação de veículos de pequeno e médio porte e a tecnologia do etanol como diferenciais do grupo no país, que poderiam ser levados a outros mercados.
Essa também é a aposta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, onde estão situadas três das quatro unidades da marca alemã no Brasil.
As quatro fábricas estão equalizadas. Elas produzem com sua capacidade máxima, em dois turnos”, observa Damasceno. “A Volks tem mantido um crescimento constante e sólido aqui no mercado – o que é positivo, mesmo com a entrada dos chineses, muito em função dos anúncios de investimento, dessa cultura de tropicalização dos modelos que estão sendo produzidos aqui e dos acordos negociados com os sindicatos”, destaca.
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Em números
- A reestruturação em curso poderá atingir cerca de 100 mil empregos, com foco na Alemanha
- O grupo tem mais de 630 mil funcionários, principalmente na Europa e na China
- Niões na Alemanha para tentar avançar no plano de cortes de custos – um primeiro plano de 50 mil demissões já está em curso
- E veículos da Europa enfrenta o desafio do excesso de produção, com um excedente anual de 500 mil unidades no continente
Fontes
Informação baseada em material público de RFI Português, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.