A cordilheira de Ali al-Taher, no sul do Líbano — batizada em homenagem a um erudito muçulmano xiita cujo santuário fica em seu cume —, se tornou uma das áreas mais disputadas na guerra entre Israel e o Hezbollah.
O conjunto de colinas não é particularmente grande. No entanto, a vista privilegiada que oferece do sul do Líbano — e o que se suspeita que o Hezbollah tenha construído em seu subsolo — colocaram o local no centro do conflito entre Israel e o grupo militante apoiado pelo Irã.
Onde fica? Localizada a cerca de 15 quilômetros da fronteira com Israel, a cordilheira de Ali al-Taher oferece uma visão estratégica de uma vasta área do sudeste do Líbano.
Israel controlou a região durante a ocupação de 22 anos do sul do Líbano, encerrada em 2000. Após o início do atual conflito, em 2 de março, tropas israelenses avançaram profundamente no sul do Líbano e tomaram colinas estratégicas, incluindo o histórico Castelo de Beaufort, situado na rota para Ali al-Taher.
Em junho, as forças armadas de Israel descreveram a cordilheira como um de seus "principais focos operacionais" e a incluíram no mapa de uma zona de amortecimento expandida e autodeclarada, onde suas tropas estão operando.
A cordilheira se tornou, na prática, um divisor entre uma faixa de território libanês ocupada por tropas israelenses ao sul e cidades ao norte — como Nabatieh — que têm sido alvo de intensos bombardeios da força aérea de Israel.
Por que é um ponto estratégico? Acredita-se que o Hezbollah tenha construído um centro de comando subterrâneo e depósitos de armas na própria cordilheira, segundo informaram fontes de segurança libanesas à Reuters em julho.
Situada a 600 metros acima do nível do mar, a posição conferia ao Hezbollah uma vantagem para o lançamento de mísseis de curto alcance e drones em direção ao norte de Israel, segundo analistas.
Ali al-Taher também conecta áreas fronteiriças do sul do Líbano à região montanhosa de Iqlim al-Tuffah, mais ao norte, que há muito serve como uma base logística e operacional fundamental para o Hezbollah, afirmaram as fontes de segurança libanesas.
A força aérea israelense tem bombardeado intensamente a cordilheira nos últimos meses. Em junho, uma autoridade militar israelense, sob condição de anonimato, disse à Reuters que combatentes do Hezbollah estavam presos no subsolo, sem comida ou água.
O jornal The Times of Israel, citando uma investigação militar, informou em 20 de junho que um soldado israelense morreu e 13 ficaram feridos durante operações para capturar uma importante instalação subterrânea do Hezbollah situada sob a cordilheira do terreno.
O Hezbollah afirmou que Israel tentou avançar, mas que seus combatentes ainda mantêm "controle total sobre a área e estão em prontidão absoluta para enfrentar qualquer tentativa das forças inimigas de avançar ou se infiltrar.
Em julho, as forças armadas de Israel declararam que "não permitiriam que terroristas do Hezbollah saíssem da infraestrutura terrorista subterrânea para operar na área ou representar uma ameaça" aos soldados israelenses.
Significado político Ali al-Taher fica perto de Zawtar Al Gharbiyeh, uma localidade de onde as tropas israelenses se retiraram em julho, como parte de um roteiro mediado pelos EUA que previa a retirada gradual das tropas israelenses do sul do Líbano à medida que as tropas libanesas desarmassem o Hezbollah.
No entanto, como o Hezbollah se recusa a entregar suas armas — e Israel afirma que não se retirará enquanto o grupo não se desarmar —, esse plano estagnou. À medida que se aproximam as eleições israelenses previstas para outubro, a captura de Ali al-Taher poderia representar uma conquista atraente para o governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
Antes das eleições, Israel precisa de uma grande vitória em uma área que sempre foi vista como um reduto do Hezbollah", disse Andrea Tenenti, especialista em comunicação estratégica e ex-porta-voz da UNIFIL, a força da ONU no Líbano.
Ainda assim, o país pode preferir um cerco lento para evitar baixas entre as tropas israelenses, afirmou Hassan Jouni, analista libanês e general reformado do exército.
Israel hesita em invadir Ali al-Taher por receio de baixas, especialmente neste momento delicado que antecede as eleições", disse Jouni à Reuters. O impasse no Líbano reflete a situação de tensão mais ampla no Oriente Médio: as negociações entre os Estados Unidos e o Irã continuam paralisadas, sem qualquer avanço à vista.
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