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Com a ajuda dos EUA, Colômbia dá guinada na segurança

Presidente Abelardo de la Espriella aposta na força contra grupos armados após fracasso de diálogo sob Petro

3 min de leitura
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Uma cela ou uma sepultura." A frase do presidente colombiano Abelardo de la Espriella dedicada a descrever o que espera dar a narcotraficantes resume a guinada que o país vive na segurança.

Ao lado do secretário de Estado americano, Marco Rubio, na última semana, ele prometeu fumigar plantações de coca, perseguir laboratórios e chefes do narcotráfico e pediu apoio dos Estados Unidos para seu Plan Patriota Siglo 21, que prevê modernizar aviões, radares, drones e sistemas de inteligência.

De la Espriella foi eleito prometendo mão de ferro num país em que grupos armados cresceram durante o governo de Gustavo Petro e a situação de segurança se deteriorou.

Em 2025, segundo a Cruz Vermelha, a Colômbia viveu as piores consequências humanitárias do conflito armado em uma década. O Clan del Golfo chegou a mais de 10 mil integrantes; o ELN, a mais de 7 mil.

Os homicídios permaneceram em patamares altos. Há, portanto, razões para que a promessa de recuperar o controle do território encontre respaldo entre os colombianos.

Mas a coincidência do calendário recomenda cautela diante da falsa escolha entre negociação e força. Neste mês completam-se dez anos da assinatura do acordo de paz entre o governo de Juan Manuel Santos e as Farc, em Cartagena.

Santos não era um pacifista alheio às armas. Como ministro da Defesa de Álvaro Uribe, comandou a ofensiva que enfraqueceu militarmente a guerrilha. Como presidente, concluiu que a vantagem obtida no campo de batalha poderia ser transformada numa negociação capaz de encerrar um conflito de mais de meio século.

O acordo de 2016 teve problemas de implementação, mas não fracassou. A maioria dos ex-combatentes incorporados ao programa de reintegração permanece nele. O pacto também criou instrumentos que transformaram a maneira como a Colômbia enfrenta os crimes.

Já a Paz Total de Petro foi uma experiência diferente. Seu governo tentou ampliar a negociação simultaneamente a guerrilhas, dissidências das Farc e grupos criminosos.

Muitas dessas mesas produziram poucos resultados enquanto algumas das organizações se fortaleciam. De la Espriella começou seu mandato fechando vários desses diálogos, reativando ordens de prisão e extradições e retomando ofensivas militares.

É tentador, portanto, descrever a mudança como o abandono da paz em favor da guerra. A história colombiana mostra algo mais complexo: força e negociação não são necessariamente políticas opostas, mas instrumentos cujos resultados dependem de como, quando e contra quem são empregados.

A experiência de Uribe também serve de advertência. Sua política de Segurança Democrática e a cooperação com Washington produziram resultados importantes: homicídios e sequestros caíram, o Estado recuperou territórios e as Farc foram enfraquecidas.

Mas nem a mão dura nem os bilhões de dólares do Plan Colombia derrotaram o narcotráfico. Sua política também deixou um legado de graves violações de direitos humanos.

A experiência da Colômbia demonstra que o uso da força pode reduzir a violência. Mas mostra também que isso não equivale a vencer a guerra às drogas.

Dez anos depois de Cartagena, a Colômbia volta a testar essa fronteira. O Plan Patriota Siglo 21 deixa clara a direção escolhida por seu novo presidente. Resta saber quais resultados a força conseguirá produzir.

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Em números

  • O Clan del Golfo chegou a mais de 10 mil integrantes; o ELN, a mais de 7 mil

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