O Chile chegou nesta sexta-feira (11) aos 53 anos do golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende sem uma cerimônia oficial ou qualquer ato institucional do governo para marcar a data, algo inédito desde o retorno da democracia ao país, em 1990.
O presidente José Antonio Kast, expoente da ultradireita chilena e apoiador da ditadura de Augusto Pinochet no passado, manteve sua agenda habitual e viajou à região de Los Ríos, no sul do país.
Não houve ato no Palácio de La Moneda nem pronunciamento do mandatário à nação, algo que ocorreu anualmente nos últimos 35 anos.
Kast afirmou nesta sexta que a história "não pode ser apagada", mas defendeu que o país olhe para o futuro. Segundo ele, há entre os chilenos diferentes sensibilidades sobre o que ocorreu há 53 anos, e o país não pode ficar condenado pelo que chamou de divisões do passado.
O discurso segue a linha adotada pelo governo nos últimos dias para justificar a ausência de uma cerimônia. O subsecretário do Interior, Máximo Pavez, afirmou que o dever da administração é "olhar os próximos 50 anos.
Uma missa realizada pela manhã em La Moneda tampouco foi tratada pelo Executivo como uma homenagem às vítimas —segundo Pavez, tratou-se de uma atividade religiosa que ocorre habitualmente no palácio.
A decisão rompe uma tradição mantida pelos governos chilenos desde o fim da ditadura, inclusive pelas gestões da direita tradicional de Sebastián Piñera. A data lembra o bombardeio de La Moneda e a derrubada de Allende, em 1973, que deram início aos 17 anos de regime militar comandado por Pinochet.
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