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Chanceler alemão classifica vitória da extrema direita no país como resultado 'sísmico' e diz estar

Friedrich Merz descartou trabalhar com a extrema direita, que venceu a eleição estadual na Saxônia-Anhalt com quase 44% dos votos. Partido ficou com 39 das 83 c

6 min de leitura
Chanceler alemão classifica vitória da extrema direita no país como resultado 'sísmico' e diz estar

O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira (7) estar "profundamente chocado" com a vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, no domingo (6).

  • Merz se diz 'profundamente chocado' após vitória da AfD.
  • Após vitória histórica em eleições regionais, direita radical alemã busca apoio para formar governo na Saxônia.

Vitória de partido de extrema-direita na Alemanha preocupa Europa.

Ele classificou o resultado como "sísmico.

Não apenas no país, mas também dentro do meu próprio partido político, e levo isso muito a sério", disse Merz.

O chanceler descartou qualquer trabalho conjunto com a legenda de extrema direita, segundo a agência Reuters. Ele reconheceu que o resultado abalou o seu partido, União Democrata-Cristã (CDU), em suas fundações, conforme declaração ao jornal Bild citada pela agência.

A AfD recebeu 43,8% dos votos e mais que dobrou seu resultado anterior no estado. A CDU ficou com 17,2%, 20 pontos a menos do que no último pleito. Merz classificou o resultado como a mais dura derrota eleitoral do partido em décadas.

O chanceler alemão e líder da União Democrata-Cristã (CDU), Friedrich Merz, participa de entrevista coletiva em Berlim, um dia após as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, nesta segunda-feira (7).

AfD tenta atrair deputados conservadores.

A AfD não alcançou maioria absoluta no Parlamento estadual: ficou com 39 das 83 cadeiras. O partido apela agora a parlamentares da CDU para viabilizar seu projeto de governar o estado, o que seria a primeira vez que uma legenda de extrema direita assume o poder em nível estadual na Alemanha do pós-guerra.

O resultado testa a recusa histórica dos partidos tradicionais alemães em trabalhar com a AfD, política conhecida como "muro de contenção". A AfD afirma que a prática é antidemocrática.

Tino Chrupalla, copresidente nacional do partido, pediu que deputados da CDU viabilizem uma "maioria conservadora de centro-direita" na Saxônia-Anhalt. "Jogos partidários realmente deveriam ser coisa do passado", disse ele a uma rádio alemã, em referência ao muro de contenção, segundo a Reuters.

A única legenda alemã que sinalizou disposição de trabalhar com a AfD é o BSW, partido populista de esquerda. As duas siglas compartilham a hostilidade à imigração em massa e defendem o fim do apoio alemão à Ucrânia e a retomada dos laços com Moscou.

Extrema-direita vence eleições estaduais na Alemanha.

Merz descarta renunciar e mantém apoio à Ucrânia.

Merz afastou a possibilidade de renunciar e disse que vai manter, em linhas gerais, a agenda de reformas do governo. "Desistir não é uma opção para mim", afirmou.

O chanceler admitiu que seus índices de popularidade, nos níveis mais baixos já registrados, contribuíram para a derrota. Segundo ele, o resultado terá consequências, e a CDU e a coalizão farão uma análise sobre o que pode ser feito de forma diferente após as eleições regionais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, em duas semanas.

Merz também disse que não vai mudar de posição sobre a Rússia. "Não vou me desviar nem um milímetro da minha convicção fundamental de que precisamos defender nossa liberdade, especialmente agora, contra a Rússia", declarou, segundo a Reuters.

Ele afirmou ainda que interromper o apoio à Ucrânia pioraria a situação e que a liderança russa quer desestabilizar o sistema de valores do Ocidente.

O resultado provocou reação na França e na Polônia. O ministro das Finanças francês, Roland Lescure, disse à rádio RTL que a votação envia um sinal "muito, muito preocupante.

Isso mostra que enfrentamos um grande desafio diante de uma onda populista que se espalha pelo mundo hoje e à qual precisamos resistir", afirmou, segundo a Reuters.

A França tem eleições nacionais no ano que vem.

Perfil do eleitorado e crescimento no leste.

Segundo levantamento citado pela Reuters, a AfD foi mais votada entre homens: 50% deles apoiaram o partido, contra 39% das mulheres. Os eleitores da legenda também tendem a ter menor estabilidade econômica e menor escolaridade.

A Saxônia-Anhalt tem pouco mais de 2 milhões de habitantes, integrava a Alemanha Oriental e é um dos estados mais pobres do leste do país. Alice Weidel, a outra copresidente nacional da AfD, chamou o resultado de marco e disse que o partido quer alcançar ao menos 40% na próxima eleição nacional, prevista para 2029.

A AfD foi classificada como extremista de direita pelo escritório local do serviço de inteligência doméstica da Alemanha. O partido rejeita as acusações de extremismo.

🔍 A votação de domingo foi estadual e não altera a composição do governo federal alemão.

Ulrich Siegmund, principal candidato da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, chega para entrevista coletiva em Berlim, um dia após as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, nesta segunda-feira (7).

A imigração está no centro das propostas da AfD. O partido defende regras mais rígidas para a entrada e permanência de estrangeiros na Alemanha, além de ampliar as deportações e adotar uma política de "remigração", termo usado pela legenda para defender o retorno de imigrantes aos países de origem.

A sigla também propõe mudanças nas políticas de integração e medidas mais duras para quem solicita asilo.

Na educação, a AfD defende mudanças nas regras de frequência escolar e a possibilidade de ensino domiciliar. O partido também propõe separar crianças refugiadas em turmas específicas e alterar o conteúdo das escolas, com maior ênfase na identidade e na cultura alemãs.

Na área de energia, a legenda quer reverter parte da política climática adotada pelo país, ampliando o uso de combustíveis fósseis e defendendo a retomada da energia nuclear.

O partido também propõe reduzir o papel das emissoras públicas e restringir sua atuação a um serviço considerado básico.

Na política externa, a AfD defende uma reaproximação com a Rússia, o fim das sanções contra Moscou e a redução do apoio alemão à Ucrânia. O partido também é crítico à União Europeia e quer devolver aos países-membros parte das competências atualmente concentradas no bloco.

Em números

  • A Saxônia-Anhalt tem pouco mais de 2 milhões de habitantes, integrava a Alemanha Oriental e é

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