O presidente americano que, há 52 anos, caiu em desgraça como corrupto e conspirador, e renunciou após o escândalo Watergate, agora é incensado nas redes sociais por um grupo de jovens conservadores.
Apresenta o 37º presidente dos EUA à Geração Z, como um precursor do movimento MAGA, que sustenta Donald Trump, e tenta transportá-lo para o atual contexto político: um presidente combativo, injustiçado, perseguido pela mídia e pelos investigadores.
Embalados em raps, os vídeos rapidamente viralizaram. Projetam a imagem do ex-presidente como um anti-herói dos tempos modernos, altivo, passeando na limusine presidencial e acenando do helicóptero presidencial com o V de vitória.
Camisetas estampam frases como "Nixon: Agora mais do que nunca" e “Garotas bonitas por Nixon”.
A reinterpretação póstuma da imagem de Nixon é impulsionada pelo vice-presidente, J. D. Vance. No mês passado, em visita à biblioteca que leva o nome do ex-presidente, na Califórnia, ele comparou a renúncia de Nixon aos esforços para destituir Trump em seu primeiro mandato.
Tanto Vance quanto a Fundação Nixon minimizam Watergate e o atribuem a uma armação do “estado profundo”.
👉 O escândalo envolveu espionagem ilegal e abuso de poder por parte do presidente, depois que veio à tona a tentativa de sua campanha de invadir e sabotar a sede do Partido Democrata.
Pressionado e diante da iminência de um processo de impeachment, Nixon deixou o cargo. Um mês depois, recebeu do sucessor, Gerald Ford, o perdão pleno e incondicional por crimes federais que pudesse ter cometido durante o seu mandato.
Trump nunca escondeu a admiração por Nixon, com quem trocou cartas após a sua renúncia. Numa das correspondências, em 1990, Nixon expõe o ressentimento: “Caro Donald, eu não sei nada sobre as complexidades dos seus empreendimentos comerciais, mas o ataque massivo da mídia contra você me coloca a seu lado!”.
O revisionismo em torno de Nixon tenta associar o seu fracasso a um bem articulado golpe do “Estado profundo” e o retrata como uma figura inspiradora: explora a imagem e a narrativa do político que construiu a própria carreira, reabriu as relações com a China, reduziu a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e foi derrubado pelo establishment.
A tentativa de suavizar o legado do ex-presidente ignora, porém, justamente o que levou ao seu fim político: os abusos de poder, a espionagem política e a obstrução da Justiça para encobrir o escândalo.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.