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As crianças invisíveis do Sudão nascidas na guerra e sem registro

Bebês nascidos como resultado de estupro muitas vezes não conseguem obter uma certidão de nascimento

2 min de leitura
As crianças invisíveis do Sudão nascidas na guerra e sem registro

Aviso: Esta história contém detalhes que algumas pessoas podem considerar perturbadores.

Uma jovem sudanesa de 17 anos segura uma criança pequena nos braços com uma calma profunda que desmente sua idade e as preocupações que ela tem com o futuro.

Este meu filho não tem pai, não tem certidão de nascimento e não tem número de identificação nacional", disse Amira, cujo nome foi alterado para proteger sua identidade, à BBC.

Olhando para o filho, ela fala devagar, como se ainda estivesse tentando assimilar os detalhes do que aconteceu desde que a guerra civil eclodiu no Sudão.

Ela e sua família moravam nos bairros da zona leste de El Fasher, uma cidade que ficou sitiada pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar que trava uma brutal luta pelo poder com os militares desde abril de 2023.

El-Fasher foi o último bastião do exército na região ocidental de Darfur até cair nas mãos das RSF e milícias árabes aliadas após 18 meses, em outubro passado.

Para as dezenas de milhares de civis presos dentro da cidade, foi um pesadelo —com bombardeios constantes, confrontos e sofrimento devido à falta de alimentos.

Amira e sua família decidiram fugir no início de 2025, desesperados para encontrar uma área mais segura.

Mas, enquanto tentavam escapar por uma estrada a sudoeste da cidade, ela afirma ter sido sequestrada por três homens armados das RSF e mantida em cativeiro.

Eles vendaram meus olhos e me levaram para a área de Tabit, ao sul de El-Fasher. Fiquei trancada em um quarto por dois meses, e todos os dias um deles me estuprava", ela relata em voz baixa.

Após semanas em cativeiro, ela descobriu que estava grávida e ficou muito doente.

Amira conta que, quando os homens quiseram se livrar dela, a deixaram perto do local onde ela havia sido capturada.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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