Uma segunda instalação de energia foi alvo de "vandalismo premeditado", na descrição da polícia, em uma semana de eleições decisivas na Alemanha. Cinco unidades de uma termelétrica tiveram que ser desligadas na noite de terça-feira (1°), na Renânia do Norte-Vestfália, devido a interferências não detalhadas pelas autoridades.
A ocorrência foi registrada horas após dispositivos caseiros terem danificado linhas de transmissão em Brandemburgo. No mesmo dia, em um movimento antecipado pela imprensa do país, ministros do gabinete do primeiro-ministro, Friedrich Merz, anunciaram medidas de retaliação contra a Rússia.
O governo de Vladimir Putin foi responsabilizado pela presença de drones carregados com explosivos no aeroporto de Leipzig, encontrados por acaso no começo de agosto.
O Kremlin classificou a acusação de "ação anti-Rússia" e, na ausência do embaixador, convocou o encarregado de negócios da missão diplomática alemã em Moscou.
Em Bruxelas, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que o episódio mostrava uma espécie de novo normal para a população do continente. "Precisamos nos mobilizar, e isso significa estar preparados para responder à imprudência da Rússia de forma mais rápida e eficaz", declarou a política, que é alemã, na saída de um encontro com Mark Rutte, secretário-geral da Otan.
Também nesta quarta-feira, dois homens foram presos por suspeita de envolvimento no caso de Leipzig, segundo jornais do país: um coordenador de logística russo com passaporte da Letônia e um instrutor de Belarus, também de nacionalidade russa.
Pelo menos um deles teria ligação com os serviços de inteligência russos.
Alexander Throm, membro da Comissão de Assuntos Internos do Parlamento em Berlim, declarou à agência Reuters que considerava "extremamente suspeito" tantos incidentes dias antes do pleito do fim de semana no estado de Saxônia-Anhalt.
Vice-líder dos Verdes na Casa, Konstantin von Notz diz que há "sabotagem dos processos parlamentares" e recomendou observar "atentamente quem está tentando minimizar perigos e atos monstruosos.
A AfD, partido de extrema direita que defende uma aproximação com a Rússia, está perto de conseguir o maior número de cadeiras no Parlamento estadual, segundo as últimas pesquisas de opinião.
As previsões, porém, não garantem que a legenda alcançará representantes suficientes para indicar Ulrich Siegmund, principal nome da legenda no estado, como governador.
Campanhas apartidárias estão pedindo votos estratégicos para partidos ameaçados pela cláusula de barreira de 5%, como os sociais-democratas do D e os Verdes. Com mais legendas dividindo o Parlamento, mais complicado fica para a AfD atingir a maioria.
Para analistas, a tensa corrida eleitoral é palco mais do que propício para ações híbridas em solo alemão, prática recorrente da inteligência russa, acusada de interferir em diversas campanhas na Europa nos últimos anos.
Mirar infraestruturas, emulando uma estratégia típica da extrema-esquerda do país, seria ainda mais desestabilizador.
O receio de um envolvimento maior da Alemanha na guerra da Ucrânia, que existe em parte do eleitorado, coincide com a principal plataforma de política externa da AfD e de setores da esquerda alemã.
A legenda populista prega inclusive um afastamento do conflito.
O que isso alcançou? Que impacto teve no curso da guerra? Quantas vidas salvou? Nenhuma", declarou Siegmund na terça-feira, repetindo que o partido é contra as sanções comerciais impostas à Rússia, renovadas nesta semana.
No discurso da AfD, uma eventual retomada do diálogo com a Rússia, interrompido desde a invasão do país à Ucrânia, em 2022, traria alívio nas contas de energia, já que o gás russo poderia voltar a fluir para o país.
Outro bònus eleitoral é apelar ao voto afetivo em um estado que compôs a Alemanha Oriental, uma ditadura sob influência da então União Soviética.
Apenas o 12° entre os 16 estados alemães em termos de PIB, a Saxônia-Anhalt seria incapaz de reverter sozinha políticas de caráter geopolítico, apesar do programa de governo de Siegmund prometer mudar várias delas.
Sua eleição, no entanto, poderia consolidar a AfD como um partido viável em âmbito federal, no qual também já lidera as pesquisas, com sete pontos de vantagem sobre a CDU de Merz (28% contra 21%).
Não à toa, o pleito de domingo (6) ganhou um caráter plebiscitário sobre a gestão do primeiro-ministro, que amarga recordes negativos de popularidade.
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