O governo alemão acusou nesta terça-feira (1º) a Rússia de estar envolvida na inédita tentativa de ataque com drones carregados de explosivos contra um aeroporto do país europeu, ocorrida na noite de 4 para 5 de agosto.
A afirmação foi feita pelo ministro do Interior, Alexander Dobrindt, em entrevista ao lado do chanceler Johann Wadephul, que na véspera havia dito que "a Rússia precisa entender que a Alemanha é uma força estabilizadora na Europa, sempre pronta para negociar, mas que não será intimidada de forma alguma.
O embaixador russo em Berlim foi convocado à chancelaria para dar explicações. Segundo Dobrindt, a Alemanha irá tomar "uma resposta apropridada". "Deixe-me ser claro: nós não estamos em guerra, mas somos alvos diários de uma guerra híbrida", disse.
Wadephul, por sua vez, disse que seu país manterá o apoio a Kiev contra a invasão russa e que tomará medidas como o fechamento do consulado de Moscou em Bonn e de um centro cultural russo em Berlim, além de estudar novas sanções.
De forma coordenada, tanto a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, quanto o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, condenaram a ação como russa e demonstraram solidariedade aos alemães.
Diversos líderes europeus fizeram o mesmo e prometeram uma reação conjunta.
O Ministério das Relações Exteriores em Moscou disse que irá combater "todas as ações anti-Rússia", e antes já havia negado envolvimento em ações contra o território europeu.
Para o Kremlin, as acusações não passam de russofobia em meio ao clima carregado da Guerra da Ucrânia.
A tentativa de ataque foi o mais grave das dezenas de incidentes com drones que vêm atingindo a Europa nos últimos dois anos —segundo estudo do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, foram 144 casos até o começo deste ano, todos ligados à Rússia.