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Al Qaeda segue convivendo com o Talibã no Afeganistão 25 anos após o 11/9

Grupo busca legitimidade externa perante aos países enquanto mantém ideologia

3 min de leitura
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Há vinte e cinco anos, Osama bin Laden liderou o planejamento dos ataques da Al Qaeda em 11 de setembro de 2001 a partir de um reduto do Talibã no Afeganistão, onde vivia como hóspede do grupo.

Agora, o Talibã voltou a governar o Afeganistão e tenta mostrar ao mundo uma imagem mais moderna.

Apesar dessa fachada, o Talibã não mudou sua ideologia, e grupos armados —entre eles dezenas de integrantes da Al Qaeda— permanecem no Afeganistão. Muitas das condições que possibilitaram os ataques de 11 de setembro de 2001 continuam presentes.

O Talibã resistiu à guerra travada pelos Estados Unidos para derrubá-lo e agora governa 45 milhões de afegãos. Seus integrantes usam os telefones iPhone mais recentes para entrar em contato com diplomatas europeus e americanos.

Viajam para o golfo Pérsico e para a Turquia e promovem o comércio com o Uzbequistão e a Índia. Seus combatentes agora patrulham as cidades afegãs, alguns usando equipamentos militares abandonados por Washington.

E, quando autoridades talibãs recebem visitantes estrangeiros em seus escritórios ornamentados na capital Cabul, insistem que desejam manter relações pacíficas com o mundo.

Reiteram os compromissos assumidos em 2020, durante as negociações de paz com a Casa Branca, de não permitir que outro grande ataque seja gestado em solo afegão.

Consideramos encerrado o capítulo da guerra", disse o ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, em entrevista recente em Cabul.

Mas a Casa Branca, a União Europeia e a maioria dos demais governos ainda não estão dispostos a confiar neles.

As promessas do Talibã sobre segurança são semelhantes às feitas pelo mulá Mohammad Omar, então líder do grupo, meses antes do 11 de Setembro, quando disse a um jornalista que Bin Laden "não atua contra ninguém a partir do território do Afeganistão.

A Al Qaeda e outros grupos terroristas permanecem no Afeganistão, embora não tenham um líder tão poderoso quanto Bin Laden nem exerçam sobre o Talibã a influência de antes.

Há uma preocupante lacuna de inteligência. Autoridades de segurança e diplomatas reconhecem que não têm um panorama completo do que ocorre dentro de Cabul. O país voltou a se tornar uma sala escura onde, alertam eles, novas ameaças podem surgir sem serem percebidas.

Em conversas, os afegãos costumam descrever a vida em seu país pelo que ela deixou de ser: uma vida em guerra. As estradas são seguras. Acordos de mineração são bem-vindos.

Os civis já não correm constantemente o risco de morrer em ataques de drones ou em meio a tiroteios, embora persista a ameaça de artefatos não detonados. Cabul recebeu novos recursos e novos restaurantes que imitam o brilho de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Em números

  • O Talibã resistiu à guerra travada pelos Estados Unidos para derrubá-lo e agora governa 45 milhões de afegãos

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