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Mundo Revisado por ULTRA AI

A rede de propaganda pró-Rússia que explora violência sexual e usa mulheres do Exército ucraniano como isca

Canais russos no Telegram prometem imagens femininas para atrair pessoas favoráveis à guerra

4 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Aviso: esta reportagem contém conteúdo que alguns leitores podem considerar perturbador.

Quando Keti Leshkasheli, médica da Geórgia que serviu nas Forças Armadas da Ucrânia, voltou da linha de frente, há cerca de três anos, seu celular não parava de vibrar.

Ela se reconheceu na imagem. Era uma foto dela, tirada anos antes, em que aparece de uniforme militar em Avdiivka, cidade no leste da Ucrânia que hoje está sob ocupação russa.

Escreveram todo tipo de horror sobre mim", explicou. "Me dá raiva. Não posso fazer nada a respeito.

O Serviço Mundial da BBC identificou imagens de mais de 20 mulheres —muitas delas integrantes ou ex-integrantes do Exército ucraniano— usadas como isca para cliques nessa campanha.

As publicações nesses espaços costumam incluir anúncios com links para outros canais, grupos privados ou sites externos.

A plataforma é especialmente eficaz para atrair público, já que é o aplicativo de mensagens mais popular na Rússia. Em 2025, também foi uma das principais fontes de notícias para os ucranianos, segundo uma pesquisa nacional.

Esses anúncios haviam sido publicados por cerca de 1. 700 canais de pequeno porte, dedicados a temas variados, como conteúdo para maiores de 18 anos, material favorável à guerra, finanças e memes.

Juntas, essas publicações acumularam mais de 65 milhões de visualizações.

A maioria seguia a mesma fórmula: usava fotos reais de mulheres, afirmava falsamente que elas haviam sido sequestradas e estupradas e incluía um link que prometia mostrar provas em vídeo.

Era uma tática deliberadamente chocante, criada para atrair público com a promessa de mostrar imagens perturbadoras.

As publicações também afirmavam que as mulheres haviam torturado soldados russos ou "defendido que crianças russas fossem queimadas vivas". Essas alegações vinham acompanhadas de insultos étnicos e de gênero.

Valentyna Shapovalova, pesquisadora que estuda desinformação de gênero, afirma que a campanha "vende a promessa de violência sexualizada como entretenimento" para "atrair e monetizar" a atenção dos usuários.

Shapovalova acrescenta que, mesmo quando não são produzidas pelo Estado, essas publicações ainda contribuem para os objetivos de guerra da Rússia, porque humilham os ucranianos e "normalizam a violência sexual contra o 'inimigo.

Ao identificar padrões e mapear as conexões entre as publicações, a BBC rastreou uma rede de canais que se beneficia dessa campanha para atrair seguidores. Seis canais ultrapassaram a marca de 1 milhão de inscritos.

A BBC analisou três dos maiores. Todos foram criados em um intervalo de 72 horas entre si, no início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.

Os três canais reproduzem conteúdo da mídia estatal russa e seguem a linha do Kremlin, governo russo. Descrevem avanços militares como "libertações", apresentam a União Europeia e o Reino Unido como agressores e celebram as baixas ucranianas.

Dois deles usam regularmente insultos étnicos contra ucranianos.

Das mais de 6. 500 publicações enganosas usadas para atrair cliques identificadas pela BBC, quase 5. 400 foram removidas desde então.

Mas novas publicações continuam surgindo. Algumas apresentam sinais de automação: textos idênticos, inclusive com os mesmos erros de digitação, publicados simultaneamente em várias contas.

Denunciei essas contas e as bloqueei, mas são muitas", disse Yuliia Mala. "O número dessas contas falsas não para de crescer.

As denúncias formais feitas pelas mulheres cujas imagens foram usadas em publicações violentas tiveram, em grande parte, pouco efeito.

Oleksandra, cidadã russa que se ofereceu como voluntária para lutar pela Ucrânia, disse ter visto publicações com suas fotos em 2022, 2023 e 2024 em tantos canais que acabou deixando de acompanhá-las.

Vi que usavam minhas fotos e que colocavam digitalmente meu rosto sobre um corpo nu... Havia tanto conteúdo assim que, em determinado momento, parei de reagir", disse Oleksandra.

Em números

  • Juntas, essas publicações acumularam mais de 65 milhões de visualizações
  • Seis canais ultrapassaram a marca de 1 milhão de inscritos

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Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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