Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 deixaram cerca de 3 mil mortos e centenas de feridos nos Estados Unidos. A maior parte das mortes se concentrou em Nova York, onde dois aviões atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center.
- Nascido no Reino Unido, Rescorla atuou no Exército britânico antes de se mudar para os Estados Unidos, onde continuou a carreira militar.
- Na década de 1960, Rescorla foi enviado para a Guerra do Vietnã e liderou um dos batalhões norte-americanos no país.
- Lá, recebeu o apelido de "Hard Core" (ou "linha-dura"), pela forma como conduzia as tropas.
- Após deixar a guerra, o coronel decidiu abandonar o Exército e entrou na universidade para cursar Direito.
- A reportagem afirma que o militar acreditava que um avião de carga vindo do Oriente Médio ou da Europa, com destino a Nova York, poderia atingir o World Trade Center.
- A aeronave poderia transportar toneladas de explosivos ou armas químicas ou biológicas.
- O militar enviava um comando pelo sistema de comunicação interno ordenando que os funcionários deixassem a torre.
- Para não congestionar as escadas de emergência, os trabalhadores deixavam as mesas aos poucos e em duplas.
- Segundo a "New Yorker", a insistência dele no protocolo de segurança chegou a ser alvo de chacota, com alguns funcionários resistindo a participar dos treinamentos.
Mas o número de vítimas poderia ter sido ainda maior se não fosse a ação de pessoas que ajudaram a salvar milhares de vidas. Entre elas está o coronel Richard Cyril Rescorla, conhecido como Rick Rescorla.
Ele é o herói que "previu" o 11 de Setembro.
O militar tinha 62 anos no dia em que os Estados Unidos foram alvos dos ataques terroristas.
Na década de 1980, Rescorla abandonou os estudos para atuar na área de segurança da Dean Witter, uma corretora de valores que tinha escritórios no World Trade Center.
Mais tarde, a companhia se fundiu com a empresa de investimentos Morgan Stanley.
Um episódio específico começou a aumentar as preocupações do militar com a segurança do World Trade Center: em 1988, um avião da Pan Am explodiu no ar após terroristas detonarem uma bomba dentro da aeronave.
Já naquela época, o coronel acreditava que o World Trade Center poderia ser alvo de um atentado. E ele estava certo. Cinco anos depois, em 1993, um caminhão-bomba explodiu no subsolo de uma das torres.
O primeiro atentado ao World Trade Center fez Rescorla concluir que medidas de segurança precisavam ser adotadas com urgência. Depois daquele dia, tudo mudou.
Após o atentado de 1993, Rescorla passou a considerar que o World Trade Center era vulnerável e poderia voltar a ser alvo de terroristas. As torres eram um símbolo do poder econômico dos Estados Unidos e ficavam próximas a Wall Street, um dos principais centros financeiros do país.
Destruir o World Trade Center seria visto como uma grande vitória para grupos antiamericanos e representaria um duro golpe nos Estados Unidos.
Segundo a revista "The New Yorker", ainda na década de 1990, Rescorla alertou a Morgan Stanley de que poderia não ser seguro permanecer no World Trade Center.
Entre os cenários de um possível futuro atentado, ele considerava a possibilidade de um ataque terrorista com um avião atingindo uma das torres.
Mas a empresa para a qual Rescorla trabalhava preferiu continuar no World Trade Center. O contrato de aluguel da Torre Sul duraria até 2006, e uma mudança para uma nova sede custaria muito dinheiro.
Diante desse cenário e preocupado com a segurança dos funcionários, o militar criou um plano de evacuação que permitiria salvar o máximo possível de vidas em caso de um ataque.
Ao menos duas vezes por ano, Rescorla treinava os funcionários que trabalhavam nos escritórios da Morgan Stanley no World Trade Center para uma retirada rápida do prédio.
No dia 11 de setembro de 2001, a Morgan Stanley ocupava 22 andares da Torre Sul do World Trade Center. Quando a outra torre foi atingida, às 8h46, o militar estava no próprio escritório e ouviu a explosão.
Relatos da imprensa americana apontam que o militar iniciou imediatamente os protocolos de segurança para salvar vidas. Ele inclusive desobedeceu às orientações da administração do World Trade Center, para que os trabalhadores da Torre Sul permanecessem nos lugares, já que o prédio estava seguro.
Tudo acima do ponto onde aquele avião atingiu vai desabar, e vai levar o prédio inteiro com ele. Vou tirar essa gente daqui", disse ele, segundo relato de um colega, Dan Hill, à revista "The New Yorker", em 2002.
Menos de 20 minutos após o primeiro ataque, enquanto os funcionários da Morgan Stanley ainda estavam sendo evacuados, um segundo avião atingiu a Torre Sul. Naquele momento, ficou claro que um atentado terrorista estava em andamento nos Estados Unidos.
O militar não titubeou e continuou trabalhando para que todos deixassem a torre com segurança. De acordo com o Exército dos Estados Unidos, 2. 687 pessoas foram salvas por ele.
Rescorla foi visto pela última vez subindo as escadas do World Trade Center para ter certeza de que todos os trabalhadores da Morgan Stanley tinham saído do prédio.
Segundo o Memorial do 11 de Setembro, ele e outros 12 funcionários não conseguiram deixar o local a tempo.
Pouco antes de o prédio desabar, ele disse a um dos colegas de trabalho que só deixaria o World Trade Center quando tivesse "certeza de que todos os outros saíram.
Segundo o Exército dos Estados Unidos, ele também ligou para a esposa.
Pare de chorar, preciso tirar essas pessoas de lá em segurança. Se algo me acontecer, quero que saiba que nunca fui tão feliz. Você deu sentido à minha vida", disse.
Rescorla foi oficialmente declarado morto três semanas após os ataques de 11 de Setembro. Os restos mortais dele nunca foram encontrados, de acordo com o Exército norte-americano.
Em números
- Os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 deixaram cerca de 3 mil mortos e centenas de feridos nos Estados Unidos
- A história do militar que 'previu' o 11 de Setembro e morreu após salvar quase 3 mil pessoas nas Torres
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