Aristide Economopoulos, fotógrafo e fotojornalista americano radicado na região metropolitana de Nova York que registrou os ataques às Torres Gêmeas, recebeu neste ano o diagnóstico de câncer de próstata.
Novos documentos mostram que vestígios de amianto ainda eram encontrados na área do World Trade Center dez meses após a tragédia.
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Ele tinha 30 anos e havia acabado de chegar a Nova York quando, na manhã de 11 de setembro de 2001, recebeu a missão que mudaria sua vida. Fotógrafo, Economopoulos nunca tinha estado na região sul de Manhattan, onde ficavam as torres do World Trade Center.
Vinte e cinco anos depois, as consequências daquela manhã ainda fazem parte de sua vida. Em maio deste ano, Economopoulos foi diagnosticado com câncer de próstata, uma das doenças associadas à exposição às substâncias tóxicas liberadas no colapso das Torres Gêmeas.
A história de Economopoulos é também um retrato de uma dimensão do 11 de Setembro que se estendeu muito além das quase 3 mil mortes provocadas diretamente pelos ataques.
Milhares de socorristas, trabalhadores, jornalistas, moradores e outras pessoas expostas à poeira e aos destroços do Marco Zero, inclusive brasileiros, desenvolveram doenças ao longo das décadas seguintes.
Economopoulos lembra com precisão de como começou aquele 11 de setembro. “O dia começa às 8h22. Eu sei exatamente o horário porque minha mãe me ligou e eu pensei: ‘Por que você está me ligando tão cedo?’”, recorda.
A dimensão do que estava acontecendo ainda não estava clara. Enquanto milhares de pessoas tentavam deixar Manhattan, Economopoulos recebeu a missão de fazer o caminho contrário.
De Jersey City, em Nova Jersey, pegou uma balsa em direção à região do World Trade Center. Coberto pela poeira dos escombros, registrou com sua câmera cenas de uma manhã em que o céu do centro financeiro de Nova York foi tomado por uma enorme nuvem de fumaça, cinzas e destroços.
Pouco antes da queda da Torre Norte, Economopoulos encontrou outro fotógrafo que trabalhava na área. Os dois nunca haviam se visto antes. Ao saber que Aristide estava ficando sem filme, o colega lhe entregou um dos dois últimos rolos que ainda tinha.
Deu apenas um conselho: “Shoot smart” – algo como “fotografe com inteligência”, escolhendo cuidadosamente cada imagem. Pouco depois, os dois seguiram caminhos diferentes.
Os primeiros efeitos da exposição apareceram imediatamente. No dia do ataque, o fotógrafo sofreu lesões nos olhos provocadas pela poeira e os destroços.
A visão ficou comprometida durante alguns dias. O impacto, no entanto, não foi apenas físico. Nos anos seguintes, Economopoulos também buscou ajuda profissional para lidar com o trauma provocado pelo que havia testemunhado.
Durante décadas, ele não procurou os programas de assistência destinados às pessoas afetadas pelo 11 de Setembro. Isso mudou neste ano, quando recebeu o diagnóstico de câncer de próstata.
A doença está entre os tipos de câncer associados à exposição no World Trade Center e cobertos pelo programa federal criado para acompanhar e tratar pessoas afetadas pelos ataques.
As imagens registradas por Economopoulos naquele dia também acabaram adquirindo uma função que o fotógrafo não poderia imaginar quando apertou o obturador. Anos depois, algumas delas serviram para comprovar que pessoas que desenvolveram doenças associadas ao 11 de Setembro realmente estiveram na área contaminada.
Ao mostrar uma de suas fotografias, Economopoulos aponta para três homens cobertos de poeira caminhando pelas ruas de Manhattan. Um deles se chamava Frank.
Documentos recém-revelados também lançam nova luz sobre a extensão da contaminação na região do World Trade Center. Após o 11 de Setembro, moradores de Nova York receberam repetidas garantias de que era seguro respirar o ar nas proximidades das torres destruídas.
Mas registros obtidos pelo The New York Times mostram que, dez meses depois dos ataques, autoridades de saúde ainda encontravam vestígios de amianto a até cerca de 800 metros do local.
Os documentos fazem parte de mais de 170 mil páginas de relatórios sobre qualidade do ar, registros de contaminação e correspondências entre autoridades municipais.
Segundo autoridades da cidade, o material permaneceu armazenado em caixas em um escritório municipal, fora do alcance do público por mais de duas décadas, e só foi descoberto no ano passado.
A documentação acrescenta uma nova dimensão às dúvidas sobre os riscos aos quais foram expostas as milhares de pessoas que trabalharam, viveram ou participaram das operações de resgate e recuperação na região.
Além das 2. 753 pessoas mortas no World Trade Center no dia dos ataques, outras 9. 677 morreram, nos 25 anos seguintes, de doenças relacionadas ao atentado, segundo dados do Fundo de Compensação das Vítimas, atualizados até 31 de julho deste ano.
Para Economopoulos, as consequências que continuam aparecendo duas décadas e meia depois são também uma razão para preservar a memória do 11 de Setembro. “O que me incomoda é que, 25 anos depois, existe toda uma geração que não sabe o que aquele dia representou”, afirma.
Uma geração inteira nasceu depois das imagens que Economopoulos registrou com os rolos de filme que conseguiu naquela manhã. Ao relembrar o atentado, ele diz que preservar essa história significa não apenas recordar o horror provocado pelos ataques, mas também aqueles que morreram e as pessoas que arriscaram a própria vida para ajudar desconhecidos.
Em números
- Também um retrato de uma dimensão do 11 de Setembro que se estendeu muito além das quase 3 mil mortes provocadas diretamente pelos ataques
- Os documentos fazem parte de mais de 170 mil páginas de relatórios sobre qualidade do ar, regi
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