Do 1º detalhe lembrado pela vítima ao acabamento digital, a imagem passa por várias etapas antes da divulgação.
Durante décadas, o retrato falado foi associado ao desenho feito a lápis por um profissional que tentava transformar uma descrição em imagem. Hoje, a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul usa ferramentas digitais e inteligência artificial para dar mais realismo ao resultado, mas o ponto de partida continua sendo uma conversa detalhada com a vítima ou testemunha.
O processo ganhou destaque após a divulgação do retrato falado de um homem suspeito de estuprar uma jovem de 19 anos em Paranaíba. A imagem foi produzida com auxílio de tecnologia e divulgada na tentativa de identificar o suspeito.
Segundo o perito papiloscopista Orivaldo Mendonça Junior, o uso da inteligência artificial representa uma nova etapa de uma técnica que existe há mais de um século.
A evolução, segundo o perito, passou por diferentes fases. Primeiro vieram os desenhos feitos à mão. Depois, surgiram os sistemas com montagem de características faciais, conhecidos como identikit, que usavam combinações de elementos como olhos, nariz, boca e cabelo.
Com o avanço da tecnologia, essas peças foram substituídas por imagens reais e softwares de edição.
Apesar do nome chamar atenção, a inteligência artificial não cria sozinha o rosto do suspeito. Ela é usada como uma ferramenta de aprimoramento da imagem. “Não é produzido na inteligência artificial, mas a gente consegue dar aquele refinamento final, textura de pele, sombra, iluminação, para que essa foto fique o mais próximo real”, explica Orivaldo.
Ou seja, a tecnologia ajuda a deixar a imagem mais natural e compreensível para quem vai receber aquela informação. A construção do rosto, porém, depende das características relatadas por quem presenciou o crime.
Antes da tecnologia - O trabalho começa muito antes do computador. A entrevista com a vítima é considerada uma das etapas mais importantes do processo.
O perito explica que a equipe precisa conduzir a conversa com cuidado, principalmente porque muitas vezes a pessoa está tentando lembrar detalhes de uma situação traumática.
Segundo ele, a equipe utiliza conhecimentos da área de psicologia e memória para evitar induções e ajudar a pessoa a recuperar informações. “O trauma também afeta nossa cognição e nossa memória, então eu preciso retomar da vítima, sem haver um novo trauma, as características do sujeito”, afirma.
Durante a entrevista, os profissionais procuram identificar características marcantes. Em vez de pedir apenas uma descrição geral, a equipe busca detalhes específicos, como formato dos olhos, sobrancelhas, nariz ou outras características que tenham chamado atenção.
A gente não quer produzir uma imagem idêntica. A gente quer produzir um modelo, uma imagem fictícia, mas que retrate o mais próximo possível”, explica.
Outra mudança trazida pela tecnologia é a possibilidade de realizar entrevistas e produzir retratos falados à distância.
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Fontes
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