Mãe de menina induzida ao suicídio faz alerta às famílias.
A suspensão de recursos de vídeo e compartilhamento de tela do Discord no Brasil reacendeu o debate sobre a segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Ao g1, a mãe da menina de 13 anos fez um apelo para que pais e responsáveis fiquem atentos à rotina dos filhos no ambiente virtual.
Eu só peço que as pessoas olhem para esse caso como um alerta. Minha filha não era uma menina problemática. Era feliz, educada, carinhosa e cheia de sonhos. Mesmo assim, foi vítima de pessoas que se aproveitaram da vulnerabilidade dela pela internet”, disse a mãe.
Psicólogos alertam para violência no ambiente virtual.
Ouvidos pelo g1, psicólogos apontam que o ambiente virtual pode expor menores a graves episódios de violência psicológica. Segundo os especialistas, ferramentas de interação digital são frequentemente instrumentalizadas por redes criminosas que exploram a necessidade de pertencimento típica da adolescência para coagir e ameaçar as vítimas.
Segundo o psicólogo Thiago Ayala, a internet é frequentemente utilizada por redes criminosas para explorar a vulnerabilidade dos adolescentes. O especialista explica que nessa fase da vida, o desejo natural de pertencimento e aceitação passa a ser visado por grupos que fingem oferecer acolhimento para, depois, isolar as vítimas e submetê-las a situações de controle, ameaças e coerção.
🔎 O Discord é uma plataforma na qual usuários conversam por meio de mensagens de texto, voz e vídeo. Conhecido principalmente entre gamers, também permite transmissões ao vivo, nas quais usuários acompanham, participam e fazem comentários.
O psicólogo pondera, porém, que as transmissões ao vivo, por si só, não são responsáveis pela violência. Na avaliação do especialista, o problema está também na forma como essas ferramentas são utilizadas por crianças e adolescentes, sem supervisão dos responsáveis e sem mecanismos suficientes de monitoramento.
Para Rodrigues, limitar o acesso às lives e aos vídeos pode ser uma medida paliativa.
Como a família pode proteger os filhos.
Segundo Ayala, a proteção de crianças e adolescentes deve ser uma responsabilidade compartilhada entre a família, a escola e os serviços de saúde.
Além da responsabilização das plataformas, especialistas explicam que os responsáveis podem incorporar no dia a dia.
O psicólogo também destaca que os responsáveis precisam conhecer a rotina digital dos filhos. Esse acompanhamento, segundo Ayala, não precisa significar invasão de privacidade.
Rodrigues também chama atenção para mudanças de comportamento que podem indicar que uma criança ou adolescente passa por uma situação de violência. Entre os sinais estão.
😶Isolamento;🗣️Redução da comunicação com a família;❌Afastamento das interações sociais.
A família não precisa esperar que uma situação chegue ao limite para buscar atendimento profissional. Segundo Ayala, é indicado procurar orientação quando as mudanças de comportamento são persistentes e passam a afetar áreas importantes da vida do adolescente, divididas em seis aspectos.
Sono;Escola;Relações;Alimentação;Segurança;Atividades do dia a dia.
Conversar sobre internet antes que o problema aconteça.
Para Ayala, a segurança digital precisa fazer parte da educação cotidiana e não deve ser tratada apenas após a ocorrência de situações de risco.
A orientação inclui ensinar crianças e adolescentes a reconhecer sinais de manipulação, exposição, ameaças e conteúdos violentos, além de reforçar que há sempre uma rede de apoio pronta para ajudar.
Segundo o psicólogo Thiago Ayala, o excesso de tempo digital torna-se prejudicial quando ocupa o espaço de necessidades fundamentais e do desenvolvimento emocional.
Para fortalecer essa proteção, especialistas destacam práticas essenciais.
Caso os responsáveis descubram que o adolescente participa de grupos nocivos ou está sendo coagido virtualmente, a recomendação é evitar uma reação impulsiva. O primeiro passo é garantir a segurança, preservar o diálogo, tentar compreender o que está acontecendo e reunir informações.
O Discord informou nesta segunda-feira (17) que suspendeu, no Brasil, os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo. A medida ocorre após determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), tomada como medida preventiva com base no ECA Digital.
A agência havia dado prazo de três dias úteis para que a plataforma adotasse as medidas determinadas. Em nota, o Discord afirmou que as funcionalidades de vídeo são importantes para a experiência dos usuários e disse que continuará dialogando com o governo brasileiro para que os recursos sejam restabelecidos.
A empresa também publicou uma carta aberta aos usuários brasileiros, na qual afirma estar cumprindo a determinação da ANPD e classifica a situação como séria. (leia íntegra abaixo).
Apesar da suspensão dos recursos de vídeo e compartilhamento de tela, o Discord continua disponível no Brasil.
Segundo a própria plataforma, seguem funcionando mensagens diretas, servidores, canais de voz e chamadas exclusivamente de áudio, além dos demais recursos que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela.
A adolescente de 13 anos morreu em 22 de julho, dentro da casa onde vivia com a família, em Naviraí.
Inicialmente, o caso foi tratado como suicídio, mas a investigação identificou que ela havia sido ameaçada, manipulada e coagida por integrantes de um grupo virtual.
Com o avanço das apurações, a Polícia Civil passou a investigar a morte como homicídio.
Segundo a polícia, os criminosos procuravam principalmente crianças e adolescentes com perfis públicos nas redes sociais.
A prática foi chamada pela Polícia Civil de “escravização virtual”. Depois da aproximação, os criminosos conseguiam informações pessoais e passavam a ameaçar as vítimas para obrigá-las a cumprir ordens e desafios violentos.
A mãe também afirmou esperar que a tragédia ajude a conscientizar outras famílias. “Não existe prisão que traga minha filha de volta ou diminua a saudade. Mas espero que a responsabilização sirva para impedir que outras famílias passem pela mesma tragédia.
Tenho consciência de que a morte dela salvou muitas outras vidas que estavam na mira desse grupo.”.
📞📲 Para quem precisa de apoio emocional, além de acionar a rede de apoio, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, o número do Centro de Valorização da Vida (CVV), válido em todo território nacional e é gratuito.
Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo.
O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento.
Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento.
Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação.
Centro de Valorização da VidaAssociação Brasileira dos sobreviventes Enlutados por SuicídioInstituto Vita AlereRede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos)Instituto Bia Dote.
Uma carta à comunidade do Discord no Você provavelmente já ouviu falar sobre uma ordem da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) do Brasil determinando a suspensão, no país, dos recursos de compartilhamento de tela e de vídeo.
Estamos cumprindo a ordem e trabalhando de boa-fé com a ANPD. Como resultado, os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo ficarão indisponíveis para usuários no Brasil a partir de agora.
Estamos trabalhando para restabelecer o acesso a esses recursos importantes o mais rápido possível. Esta é uma situação séria. A ordem ocorre após um caso devastador envolvendo a morte de uma adolescente, na sequência de uma campanha coordenada de violência extrema conduzida em múltiplas plataformas.
Trabalhamos todos os dias para manter esses indivíduos fora da nossa plataforma e para tornar o Discord mais seguro para os adolescentes. Temos colaborado e continuamos colaborando com as autoridades policiais neste caso.
Sabemos o quanto esses recursos afetados são importantes para a nossa comunidade no Brasil. Gamers, desenvolvedores, pequenas empresas e comunidades de todos os tipos em todo o país usam o Discord para se conectar e colaborar.
Amigos usam as chamadas de vídeo para passar tempo juntos e compartilham suas telas por diversos motivos, inclusive simplesmente para curtirem momentos juntos e mostrarem uns aos outros o que estão jogando.
O que continua funcionandoO Discord continua disponível no Brasil. A ordem se concentra nas funcionalidades de vídeo, mas você ainda terá acesso aos seguintes recursos:Mensagens diretas (DMs) e mensagens diretas em grupoServidores de todos os tamanhosCanais de voz e chamadas exclusivamente de áudioTodos os demais recursos do Discord que não dependem de vídeo ou compartilhamento de telaEm resumo: o Discord continua aqui para você, e estamos trabalhando para restabelecer esses recursos o mais rápido possível.
Seguimos comprometidos com a nossa comunidade no Brasil, assim como sabemos que ela está comprometida com o Discord. Obrigado pelo seu apoioSomos uma empresa pequena em comparação com muitas das grandes plataformas globais de comunicação, e o Discord ainda é menos conhecido por muitos legisladores e reguladores.
Para quem nunca usou o Discord pessoalmente, pode ser difícil compreender a diversidade de formas pelas quais a plataforma faz parte do dia a dia da nossa comunidade.
Por isso, temos um pedido à nossa comunidade brasileira. Se o Discord ajudou você a manter contato com amigos, encontrar uma comunidade ou, ainda, se você administra uma empresa de qualquer porte e utiliza o Discord para gerenciar a sua própria comunidade, compartilhe a sua história nas plataformas que você usa e marque a gente para ficarmos sabendo.
Precisamos da sua voz para mostrar o panorama completo de como o Discord é usado no Brasil. Seu apoio contínuo significa tudo para nós. Seguimos comprometidos com a nossa comunidade no Brasil e com o trabalho construtivo junto às autoridades brasileiras.
Obrigado por continuar conosco. Manteremos você informado sobre os próximos passos.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 MS, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.