Empresas chegam a republicar oportunidades quatro vezes.
Despesas como aluguel, alimentação, transporte, manutenção de veículos e até o tempo gasto no deslocamento pesam na decisão e ajudam a explicar por que algumas oportunidades permanecem abertas por semanas.
Conforme análise do departamento de gestão da Agência de Empregos da Funsat (Fundação Social do Trabalho de Campo Grande), nos casos em que o anúncio informa apenas um salário mínimo e vale-transporte, sem outros benefícios, e prevê jornada de 44 horas semanais, o tempo de permanência da vaga pode chegar a 60 dias.
O período não significa que um mesmo anúncio fique automaticamente disponível durante todo esse tempo. Uma oferta é aberta inicialmente para expirar em 15 dias e só permanece ativa quando há atualização que mantém o cadastro vigente.
No cenário de uma vaga que chega a ficar encalhada por 2 meses, isso pode representar quatro tentativas de publicação.
O setor de Vagas e Emprego da Funsat mantém contato com as empresas anunciantes para acompanhar o andamento das oportunidades, desde a abertura até o fechamento, além de informar quando é necessária uma nova atualização para que a oferta continue ativa.
Nesse diálogo com os empregadores, a equipe tem observado, nos últimos anos, que é comum a republicação de anúncios ocorrer com salários maiores ou com a inclusão de benefícios.
Segundo dados do Painel de Intermediação da Agência de Empregos, em média, as ofertas com remuneração entre um salário mínimo e um salário mínimo e meio representam 70% do total de oportunidades anunciadas.
Edna de Carmen Freitas, de 57 anos, está desempregada há três dias. Ela trabalhava em uma residência com serviços de limpeza.
Nesta terça-feira foi até a Funsat procurar emprego e saiu com um encaminhamento para uma vaga na mesma área, com salário mínimo. Antes de decidir, pretende entrar em contato com a empresa para confirmar as condições.
Para ela, o problema aumenta quando o trabalho doméstico envolve também o preparo das refeições e o atendimento a várias pessoas na residência.
A remuneração também já foi motivo para Edna desistir de oportunidades. Ela conta que chegou a recusar vagas quando o salário não compensava as atribuições exigidas.
Mesmo com uma remuneração acima do mínimo, ele afirma que ainda pretende complementar a renda com trabalhos informais.
Para ele, a jornada de trabalho também entra diretamente na conta. Uma vaga com escala 6 por 1 e 8 ou até 10 horas de trabalho por dia pode deixar de compensar quando a remuneração é baixa.
Para ele, aceitar um salário menor não faz sentido quando as despesas permanecem as mesmas.
A jornada de trabalho é outro fator que pesa na decisão. Thierry cita a frequência de vagas com escala 6 por 1 e remuneração próxima do mínimo.
Ele calcula que uma parte significativa da renda desapareceria antes mesmo de considerar alimentação e outras despesas.
Com essa estrutura de gastos, Thierry estabelece um valor que considera necessário para viver.
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Fontes
Informação baseada em material público de Campo Grande News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.