A moradora de Dourados, no sul do estado, foi presa no dia 4 de agosto, quando voltava de férias da Bahia com o marido e a filha de apenas 6 meses. Segundo ela, o problema começou com um erro de identificação e terminou com consequências pessoais e profissionais.
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- Médica é presa por engano em aeroporto e vive 21 dias de desespero em MS.
Ela conta que estava desembarcando quando foi abordada por dois agentes da Polícia Federal. Segundo Ana Paula, os agentes a conduziram até uma sala e informaram que ela estava presa com base em um mandado relacionado à Lei de Organizações Criminosas.
Desde o primeiro momento, ela diz ter tentado explicar que havia um erro.
Segundo Ana Paula, mesmo diante da contestação, ela foi obrigada a assinar documentos e depois colocada em uma viatura.
O momento mais difícil, segundo ela, foi ser separada da filha.
A família mora em Dourados e estava apenas desembarcando em Campo Grande após as férias. O marido ficou do lado de fora tentando conseguir informações sobre a situação.
Ana Paula afirma que também pediu para amamentar a filha, mas não conseguiu ter contato com ela durante a prisão.
Segundo o relato, o marido permaneceu no carro em frente à 2ª Delegacia de Polícia de Campo Grande com a bebê, porque a família não tinha condições de procurar uma pousada naquele momento.
Depois da abordagem no aeroporto, Ana Paula foi levada para uma delegacia da Polícia Civil.
Ela afirma que tentou novamente explicar que não era a pessoa procurada, mas diz que foi tratada com agressividade por integrantes da equipe de plantão.
Segundo ela, um dos servidores teria dito frases como “você sabe o que fez” e “não se faz de besta”, além de tê-la chamado de “vagabunda”.
Ana Paula também relata que ficou sem acesso a itens básicos de higiene. Ela afirma que passou horas sem receber absorvente ou água.
Ela conta ainda que passou duas noites presa. O marido conseguiu enviar roupas porque a que ela usava havia ficado manchada.
Na manhã da audiência de custódia, Ana Paula foi levada ao Fórum de Campo Grande em um veículo destinado ao transporte de presos, junto com outras sete mulheres.
Ela relata que todas foram transportadas algemadas e em espaço apertado.
No fórum, segundo ela, houve outro momento de constrangimento. Ana Paula afirma que precisou tirar a roupa durante o procedimento de revista e fazer agachamentos.
Durante a audiência de custódia, ela diz que tentou novamente explicar o erro de identidade, mas não conseguiu interromper o andamento do processo.
A decisão determinou que ela fosse liberada com tornozeleira eletrônica e procurasse a Defensoria Pública.
Depois da audiência, Ana Paula ainda permaneceu por horas no fórum. Com insistência, conseguiu ver a filha pela primeira vez desde a prisão.
Mais tarde, ela foi levada para outro local, onde recebeu a tornozeleira eletrônica. Do lado de fora, estavam o marido, a filha e familiares.
Ela foi liberada com a determinação de retornar para Dourados e procurar a Defensoria Pública.
Defensoria identificou o erro em poucos minutos.
Foi somente em Dourados que Ana Paula diz ter conseguido, de fato, ser ouvida e ter o caso analisado.
Segundo ela, o defensor público Rodolfo Arthur verificou os documentos e comparou os dados pessoais apresentados no processo.
A conferência, de acordo com Ana Paula, levou menos de dez minutos para mostrar que ela não era a mulher procurada.
A mulher apontada no processo tinha o mesmo nome de Ana Paula, mas outros dados pessoais eram diferentes. A confusão fez com que os documentos da moradora de Dourados fossem vinculados a uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).
Ana Paula afirma que só teve acesso ao processo depois de ser presa.
Ao todo, Ana Paula afirma que ficou 28 dias submetida à medida. A tornozeleira foi retirada na segunda-feira (31), mas ela diz que ainda aguarda a retirada definitiva do vínculo do processo de seu CPF.
Ela trabalha como técnica de enfermagem concursada em uma unidade de saúde de Dourados.
Além do impacto emocional, a prisão também afetou os planos profissionais. Ana Paula é formada em medicina no Paraguai e está no processo de revalidação do diploma no Brasil.
Segundo ela, a existência do processo vinculado ao CPF impede que a revalidação avance.
Ana Paula diz que ainda precisa concluir a retirada do vínculo do processo de seu CPF e aguarda a regularização definitiva dos registros.
Ela afirma que procurou a Defensoria porque não tinha condições financeiras de contratar um advogado particular.
Para ela, tornar o caso público pode ajudar a evitar que outras pessoas passem pela mesma situação.
Ana Paula foi presa no Aeroporto Internacional de Campo Grande no dia 4 de agosto, quando retornava de Salvador com o marido e a filha de 6 meses. Ela foi confundida com outra mulher que tem o mesmo nome e estava relacionada a um processo criminal.
Após a prisão, passou duas noites detida e foi liberada em audiência de custódia com o uso de tornozeleira eletrônica.
Ao procurar a Defensoria Pública em Dourados, a instituição identificou que os dados pessoais dela não correspondiam aos da mulher envolvida no processo.
A Defensoria levou o caso à Justiça e pediu a correção da identificação, a retirada da tornozeleira e o fim das restrições impostas a Ana Paula.
Agora, mesmo após a retirada do equipamento, ela afirma que ainda aguarda a regularização completa do processo em seu CPF.