Padre Marcelo Tenório conta que flores trazidas da Itália permaneciam vermelhas e “com vida”.
Pétalas de rosas que, segundo relatos de fiéis, permaneciam vermelhas, conservadas e até orvalhadas por longos períodos fazem parte da história da devoção a São Carlo Acutis em Campo Grande.
O fenômeno foi lembrado nesta segunda-feira (7) pelo padre Marcelo Tenório durante a celebração do primeiro aniversário da canonização do jovem italiano.
Campo Grande celebrou nesta segunda-feira (7) o primeiro aniversário da canonização de São Carlo Acutis com missa na Paróquia São Sebastião, no bairro Monte Castelo.
O padre Marcelo Tenório relembrou relatos de pétalas de rosas trazidas da Itália que permaneciam conservadas por longos períodos. A cidade tem ligação direta com o santo, pois o milagre reconhecido para sua beatificação ocorreu no local em 2013, envolvendo uma criança curada de anomalia congênita no pâncreas.
Na Paróquia São Sebastião, no Bairro Monte Castelo, o Terço do Milagre começou por volta das 18h30. Pouco antes da missa de ação de graças, marcada para as 19h, a igreja já estava cheia e cerca de 20 pessoas acompanhavam a celebração do lado de fora, pelas portas.
Segundo padre Marcelo, as pétalas começaram a ser trazidas da Itália por volta de 2011, durante as viagens relacionadas ao processo de beatificação e canonização de Carlo Acutis.
As flores foram entregues a devotos de diferentes regiões do País e, conforme o sacerdote, algumas permaneciam conservadas ou apresentavam gotas semelhantes ao orvalho.
Com o passar dos anos, todas as que vieram da Itália foram distribuídas. “Não temos mais porque doamos todas”, explicou. As usadas nesta segunda-feira têm outra origem e foram abençoadas com a relíquia de Carlo para a celebração do primeiro ano da canonização.
O costume se repete às quintas-feiras, durante a novena no Santuário São Carlo Acutis e Nossa Senhora Aparecida. Padre Marcelo ressalta que essas flores murcham normalmente e não apresentam o fenômeno atribuído às trazidas da Itália.
Depois da bênção, os fiéis as levam para casa e, segundo ele, alguns fazem chá ou colocam as pétalas na água, prática também adotada por devotos italianos. “É uma forma de ter Carlo mais perto”, explicou.
Um ano como santo – Carlo Acutis foi canonizado em 7 de setembro de 2025. Um ano depois, a celebração em Campo Grande reuniu antigos paroquianos e pessoas atraídas pela história do jovem, cuja trajetória até os altares tem ligação direta com a Capital.
Para padre Marcelo, a data representa o encerramento de um longo caminho acompanhado de perto pela comunidade local. “É um ano de muita alegria porque é o dever cumprido.
A beatificação e a canonização do Carlo Acutis devem muito ao Brasil e a Campo Grande, onde tudo começou”, afirmou.
A ligação está no milagre reconhecido pela Igreja Católica para a beatificação de Carlo. O caso ocorreu em Campo Grande, em 12 de outubro de 2013, e envolveu Matheus Lins Vianna, que tinha 3 anos e sofria de uma rara anomalia congênita no pâncreas.
Durante uma celebração, o menino tocou uma relíquia de Carlo enquanto a família pedia sua intercessão. A recuperação foi posteriormente investigada e reconhecida pelo Vaticano como milagre.
Padre Marcelo afirma que, desde então, o santuário dedicado a Carlo Acutis em Campo Grande passou a receber devotos de várias partes do País. “Vêm pessoas do Pará, de Fortaleza, do Sul, todos para agradecer as graças e os milagres que o Carlo tem realizado na vida dessas pessoas”, disse.
Os pedidos também chegam do exterior. Segundo ele, fiéis italianos entram em contato com o santuário de Campo Grande em busca de orações, apesar de o corpo de Carlo estar em Assis, na Itália.
Relatos de graças – Entre os casos que marcaram o sacerdote está o de uma menina chamada Alice. Segundo padre Marcelo, ela enfrentava um problema ósseo grave na região da bacia e apresentou recuperação posteriormente.
O caso chegou a ser encaminhado ao Vaticano e passou por análise como possível milagre para a canonização. “Mandamos a documentação ao Vaticano, o Vaticano começou a analisar e pediu novos exames.
A Igreja Católica, porém, reconheceu outro caso para a canonização: a recuperação de uma jovem da Costa Rica que sofreu grave traumatismo craniano após cair de bicicleta na Itália.
Na avaliação de padre Marcelo, Campo Grande mantém uma particularidade por abrigar o local relacionado ao primeiro milagre reconhecido pela Igreja. “Nós temos o milagre, nós temos o lugar do milagre”, ressaltou.
A coordenadora da liturgia do Santuário São Carlo Acutis e Nossa Senhora Aparecida, Elza Horácia, também acompanha relatos de famílias que recorrem à intercessão do santo.
Um deles envolve uma bebê prematura que precisou ser entubada. “A família se desesperou. Pedimos a São Carlo Acutis pela vida dela e hoje ela está bem, fora do hospital e com três meses”, contou Elza.
Mais gente na igreja – Paroquianos também perceberam aumento no movimento desde a canonização. O pedreiro Adalto Lara Brandão, de 60 anos, frequenta a comunidade há cerca de 25 anos e é devoto de Nossa Senhora Aparecida.
Segundo ele, os relatos e a presença de fiéis aumentaram. “Mudou, teve mais relatos chegando. O movimento está grande”, afirmou.
A arquiteta Aretha Gomes, de 25 anos, é paroquiana há cinco anos e devota de São Carlo Acutis. Para ela, a canonização atraiu pessoas interessadas tanto em conhecer a história do jovem quanto em agradecer graças alcançadas.
Aretha destaca ainda a presença de jovens, que encontram identificação na história de um santo que morreu aos 15 anos e usava a tecnologia para divulgar a fé católica.“A gente passou a ter ainda mais as devoções, a devoção a Nossa Senhora, que Carlo tinha muito, e a frequentar as missas.
Carlo Acutis nasceu em 1991 e morreu em 2006, aos 15 anos, vítima de leucemia. Apaixonado por informática, utilizava a tecnologia para divulgar conteúdos religiosos e reunir informações sobre milagres eucarísticos.
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