O Irã apresentou, neste sábado (8), uma lista de condições aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, ampliando as incertezas sobre as negociações para liberar uma das principais rotas comerciais da região. A passagem está fechada desde os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o país, em fevereiro. Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, afirmou que Washington deverá suspender o bloqueio naval e as sanções contra o Irã, retirar forças militares das proximidades do país, liberar ativos iranianos congelados e pagar reparações de guerra. A lista inclui ainda o fim dos ataques contra aliados iranianos na região e das ameaças contra Teerã. A Casa Branca ainda não havia respondido às exigências, segundo o texto. As condições colocam um novo obstáculo nas tratativas enquanto Irã e Omã negociam a gestão futura do Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que os dois países estavam “muito próximos” de um acordo, mas vinculou a reabertura da rota ao cumprimento de compromissos pelos Estados Unidos. “Qualquer violação do memorando de entendimento ou da gestão do Irã sobre o Estreito de Ormuz é absolutamente inaceitável para a República Islâmica do Irã”, afirmou. O estreito permanece no centro das tensões entre Teerã e Washington. Os Estados Unidos defendem navegação livre e irrestrita pela passagem e rejeitam tentativas iranianas de controlar o comércio marítimo na região. Negociações continuam O cessar-fogo firmado entre Irã e Estados Unidos em junho previa a abertura do estreito e a suspensão temporária de sanções relacionadas ao petróleo iraniano, mas os dois países divergiram sobre a interpretação do acordo. Após os Estados Unidos apoiarem uma rota mais ao sul, próxima à costa de Omã e distante das águas iranianas, o Irã reagiu com alertas e ataques contra embarcações que utilizavam esse caminho. O cessar-fogo acabou se deteriorando, e Washington retomou o bloqueio naval. Araghchi afirmou que Irã e Omã discutem agora uma rota temporária e que militares dos dois países negociam os detalhes. O porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebbi, também afirmou que a abertura do estreito não dependerá apenas das negociações com Omã, mas da aceitação das condições iranianas pelos Estados Unidos. Ataques atingem embarcações Neste sábado, o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos informou que um ataque iraniano atingiu um petroleiro pertencente à estatal Abu Dhabi National Oil Company enquanto atravessava o estreito. A empresa informou que pelo menos 15 embarcações suas foram atacadas desde o início do conflito, com uma morte e 20 tripulantes feridos. Omã condenou os ataques repetidos contra navios e afirmou que as ações violam o direito internacional e a soberania territorial. Ao mesmo tempo, declarou que as negociações com o Irã seguem em ambiente “positivo e construtivo”. Movimento de navios despenca O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou neste sábado que as discussões ainda estão em andamento e envolvem a criação de um esquema que permita a passagem segura dos navios, além da retirada de minas e de um compromisso iraniano para não atacar embarcações comerciais. O impacto sobre a navegação já é expressivo. Pouco mais de uma dúzia de navios por dia atravessaram o Estreito de Ormuz na última semana, segundo dados da Kpler citados no texto. Antes da guerra, a média era de 130 embarcações diariamente. A quantidade exata pode ser maior, já que alguns navios desligaram os equipamentos que transmitem suas localizações para tentar evitar a detecção pelas forças presentes na região.
Fontes
Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.