Evento ainda estava em montagem quando agentes chegaram à Esplanada Ferroviária.
A 4ª edição do Sarau Delas, prevista para a tarde e a noite deste sábado (29), foi cancelada ainda durante a montagem de equipamentos na Rua Dr. Temístocles, região da Esplanada Ferroviária de Campo Grande, depois que fiscais municipais cobraram licença ambiental exigida para o uso do espaço.
A organização acatou a determinação, mas questionou o aparato policial, que mobilizou agentes armados e diversas viaturas no local.
O Sarau Delas, evento cultural voltado para mulheres, foi cancelado neste sábado (29) em Campo Grande após fiscais municipais exigirem licença ambiental da Semades durante a montagem na Rua Dr.
Temístocles. A organização acatou a determinação, mas criticou o aparato policial enviado ao local, com agentes armados de fuzis e diversas viaturas, mesmo sem música e com a desmontagem já em curso.
De acordo com a disk jockey, novas equipes chegaram quando os equipamentos já eram retirados. Ela relata a presença da Romu (Ronda Ostensiva Municipal), PM (Polícia Militar), agentes ambientais e fiscais.
Gikka afirma ainda que apenas mulheres trabalhavam no local naquele momento e criticou o armamento usado pelos agentes. “Eles vieram com uma quantidade de pistola, espingarda, cassetete que não condiz com o que estava sendo feito.
Estavam fechando um evento, mas portando fuzil, inúmeras armas e com uma quantidade excessiva de policiais, guardas e fiscalização. Era um sarau de mulheres para mulheres e só havia mulheres trabalhando”, relatou.
O sarau ainda não havia começado quando ocorreu a fiscalização. Conforme a DJ, não havia música em execução e a estrutura, com telão, equipamento de som e espaço para exposição de artistas, havia sido montada entre 13h e 14h30.
Com o cancelamento, a organização recebeu duas horas para retirar os materiais instalados na rua. A programação marcaria o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica e reuniria apresentações musicais e exposições.
Nas redes sociais, a organização informou que possuía autorização da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) para uso da via, documentação relacionada à área tombada e segurança privada contratada.
O outro lado - Moradores da região relatam incômodos com eventos realizados na Esplanada Ferroviária e citam barulho, sujeira, aglomerações e transtornos no entorno.
A reportagem procurou a Prefeitura para saber qual licença foi exigida, qual norma fundamentou a fiscalização e como ocorreu a atuação das equipes municipais. A GCM e a PM também foram questionadas sobre quem solicitou apoio da corporação, o motivo do deslocamento e a atuação dos policiais no local.
O espaço permanece aberto para manifestação de ambas as partes.