O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz) apresentou a estimativa com base em dados do Banco Central. Além disso, o levantamento analisa o primeiro ano de vigência da regulamentação das bets no Brasil.
O montante representa 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. Segundo os autores do estudo, portanto, as apostas já consomem uma parcela considerada relevante dos recursos familiares.
Como comparação, o impacto do Bolsa Família gira em torno de 0,50% do Produto Interno Bruto (PIB). Assim, o estudo dimensiona o peso financeiro das apostas dentro da economia das famílias.
Para chegar à projeção, o Comsefaz analisou transferências via Pix de pessoas físicas para empresas de artes, cultura, esporte e recreação. A partir desse movimento, os pesquisadores estimaram os gastos ligados às plataformas de apostas.
O Pix, por sua vez, concentra grande parte dessas transações. Isso ocorre porque as regras não permitem o uso de cartão de crédito em apostas.
Os valores cresceram a partir de janeiro de 2025, justamente quando a regulamentação entrou em vigor. Em outubro, no entanto, a movimentação apresentou uma leve queda.
A redução ocorreu após a proibição de apostas por beneficiários do Bolsa Família. Segundo Bruno Pereira, pesquisador do Centro Internacional Celso Furtado e um dos autores do estudo, o setor retira recursos das pessoas físicas.
Perdas superam gastos de programas sociais.
As perdas também ultrapassam, individualmente, os gastos públicos com seguro-desemprego, abono salarial, Pé-de-Meia e Auxílio Gás em 2025. Da mesma forma, o valor supera o PIB individual de Sergipe, Amapá, Acre e Roraima.
Mais de 25 milhões apostaram em 2025.
Entre janeiro e dezembro de 2025, 25,3 milhões de pessoas fizeram apostas em plataformas esportivas no Brasil. Enquanto isso, o governo federal contabilizou 100,8 milhões de contas ativas nas bets.
A diferença ocorre porque um mesmo CPF pode manter mais de uma conta. Além disso, mais de dois terços dos apostadores são homens, enquanto as mulheres representam 31,7% das contas que fizeram apostas.
A maior concentração de apostadores aparece na faixa entre 31 e 40 anos. No entanto, as faixas etárias de até 30 anos também registram participação superior a 20%.
Apostas avançam junto com endividamento.
O crescimento das bets ocorre em um cenário de elevado endividamento das famílias brasileiras. Segundo dados do Banco Central, as dívidas já representam praticamente metade da renda dos brasileiros.
O indicador compara as dívidas das famílias com o Sistema Financeiro Nacional e a renda acumulada nos últimos 12 meses. Nesse contexto, os gastos com apostas passaram a disputar espaço no orçamento doméstico.
Além disso, o TCU adotou como premissa que 85% do dinheiro retornou aos apostadores na forma de prêmios.
Bets também disputam dinheiro do consumo.
Assim, esse dinheiro deixa de financiar compras de bens e serviços e também deixa de compor a reserva financeira das famílias.
Concurso foi realizado na noite desta quinta-feira, 13, em São Paulo; cinco dezenas foram sorteadas.
Em números
- ## Mais de 25 milhões apostaram em 2025
- Entre janeiro e dezembro de 2025, 25,3 milhões de pessoas fizeram apostas em plataformas esporti
- Enquanto isso, o governo federal contabilizou 100,8 milhões de contas ativas nas bets
- Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões com bets em 2025
Fontes
Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.