Uma missão técnica da Receita Federal brasileira aos Estados Unidos, prevista para junho, não foi realizada após o governo norte-americano informar que não havia disponibilidade para receber a equipe naquele período e indicar novembro como alternativa, já depois das eleições brasileiras.
A visita teria como objetivo ampliar a cooperação entre os dois países no combate a fraudes, lavagem de dinheiro e outros crimes. A delegação seria formada por mais de dez servidores da área de fiscalização, que pretendiam se reunir em Washington com integrantes do Internal Revenue Service (IRS), órgão equivalente à Receita Federal nos Estados Unidos.
Segundo a Receita, os vistos nem chegaram a ser solicitados, portanto não houve uma negativa formal por parte do Departamento de Estado. Oficialmente, a justificativa apresentada pelos norte-americanos foi de conflito de agenda, devido a outras visitas técnicas previstas para junho.
Diplomatas que acompanham a relação bilateral, porém, relataram que, nos bastidores, teria circulado a avaliação de que a concessão de vistos poderia produzir uma “notícia positiva” para o governo brasileiro em período eleitoral.
A missão segue sem nova data confirmada. Parte da indefinição também está relacionada a mudanças internas na Receita, já que Andréia Costa Chaves, subsecretária de Fiscalização e responsável pela equipe, foi nomeada para assumir o escritório do órgão em Pequim, na China.
Episódio ocorre em meio a atritos diplomáticos Integrantes do governo brasileiro interpretam o adiamento como mais um capítulo das dificuldades recentes na relação entre Brasília e Washington.
Em março, o governo Lula revogou o visto de Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado que pretendia visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão.
Em julho, o Itamaraty também negou vistos a dois diplomatas norte-americanos que planejavam vir ao Brasil para discutir o sistema eleitoral e questões relacionadas à liberdade de expressão e religiosa.
Do outro lado, o governo brasileiro cobra uma solução para vistos de autoridades que foram cancelados pelos Estados Unidos, entre elas o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Apesar dos atritos, os dois governos também mantêm iniciativas de cooperação. Em abril, foi anunciada uma parceria entre a Receita Federal e a agência de fronteiras dos Estados Unidos para rastreamento de cargas e compartilhamento de informações de inteligência.
O objetivo brasileiro é ampliar a integração entre órgãos federais para combater tráfico de armas e drogas, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras ligadas ao crime organizado.
Episódio ocorre em meio a atritos diplomáticos.
Lula contesta tarifas dos EUA em telefonema de 1h20 com Trump.
Presidentes discutiram comércio bilateral, combate ao crime organizado e conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
Fontes
Informação baseada em material público de A Crítica, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.