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Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Entre memórias e reencontros, família Coelho volta às origens para preservar seu legado

Terceiro encontro reúne descendentes em um fim de semana de convivência, lembranças e preservação da memória familiar

10 min de leitura
Mato Grosso do Sul — imagem padrão

De tempos em tempos, a família Coelho, uma das mais tradicionais de Campo Grande, reúne os parentes para conversar, lembrar histórias e passar momentos em família.

Neste fim de semana, filhos, netos e bisnetos tentam garantir que as histórias de quem veio antes não desapareçam com o tempo. É assim que acontece o terceiro ‘Coelho Sai da Toca’, realizado entre sexta-feira (28) e domingo (30), no Novotel Campo Grande.

São três dias com uma programação que inclui café da manhã, almoço, jantar, gincana, jogos, teatro para as crianças, uma foto oficial e um museu preparado pela própria família.

No entanto, por trás existe a intenção de fazer com que as novas gerações saibam de onde vieram. Para uma família ligada à história de Campo Grande e que hoje se espalha por diferentes núcleos e gerações, permanecer próxima exige esforço.

Não basta ter o mesmo sobrenome, é preciso se encontrar. E, para o estrategista de Tecnologias Emergentes e IA e integrante da família, Kenneth Corrêa, talvez esse seja o sentido mais verdadeiro do encontro.

Segundo Kenneth, o encontro tenta justamente romper essa lógica. A proposta é criar um momento em que os parentes possam simplesmente conviver, sem solenidade e sem a necessidade de uma ocasião triste.“Como é uma família muito numerosa, encontrar primos que há muito tempo não se encontravam, conhecer novos sobrinhos, sobrinhos-netos, conhecer também cônjuges das pessoas que foram se casando e poder ter esse momento de descontração, informalidade e refazer conexões”, explica.

E foi justamente dessa percepção que nasceu a ideia de retomar uma reunião que começou ainda nos anos 1990. O chef Paulo Coelho Machado conta que o primeiro encontro aconteceu na Fazenda Bela Vista.

Naquela época, a árvore formada pelos descendentes de Laucídio Coelho e Lúcia Martins Coelho já reunia mais de uma centena de pessoas. Depois veio uma segunda edição, no fim daquela mesma década.

O tempo passou, a família cresceu, vieram novos filhos, casamentos, netos e bisnetos e hoje, segundo Paulo, são quase 400 integrantes.“A ideia de fazer esse encontro surgiu justamente para entender a grandiosidade da família, no sentido de colher as histórias.

Fortalece as gerações que se encontram e que contam as histórias através dessa tradição viva”, diz. É difícil medir o valor de uma conversa entre pessoas de idades diferentes, talvez um dos mais velhos conte uma história já repetida dezenas de vezes.

Talvez um jovem escute pela primeira vez, alguém corrija uma data, ou outro lembre de um detalhe. E, aos poucos, aquilo que poderia ficar preso a uma fotografia antiga volta a ter voz.

Para Paulo, preservar essas lembranças cria algo que vai além da curiosidade sobre o passado. “Nos acreditamos que preservar as tradições é manter viva essa alegria também da família.

Conhecendo as nossas origens vamos ter uma chave para ter orgulho de pertencimento mesmo”, opina. Programação - A sexta-feira começou com a chegada dos familiares ao hotel, e a partir das 14h, vieram check-in, piscina e uma dinâmica de recepção.

Mais tarde, o grupo se reuniu para um café de boas-vindas. À noite, o auditório recebeu o momento chamado ‘Veredas e legado da Família Coelho’ e em seguida, houve jantar e visitação ao museu.

Ja o sábado começou cedo. Alvorada às 7h30, alongamento e café da manhã, às 9h, todos foram chamados para a foto oficial. Depois tem gincana, almoço e jogos cooperativos.

À noite, as crianças vão ganhar espaço com um teatro narrado por Kenneth. Neste domingo, o encontro termina depois do café da manhã, do encerramento dos jogos, uma retrospectiva e do último almoço.

Tomar café perto de quem mora longe, sentar à mesa com um primo que não se via há anos, apresentar uma criança a alguém que ela conhecia apenas pelo nome, ouvir um avô, perguntar ou até mesmo rir de alguma história antiga.

Kenneth resume esse sentimento a partir de uma cena que acontecia diante dele enquanto respondia sobre o encontro. Pela janela, via seus filhos brincando com os filhos de uma prima que mora na França.

Aquela imagem ajuda a dimensionar o tamanho da mobilização. Segundo ele, familiares que vivem em 11 países diferentes se organizaram para estar em Campo Grande.

Legado - Entre os antepassados lembrados está Laucídio Coelho. Seu nome faz parte da trajetória da família e também da história de Campo Grande. O chef Paulo relata histórias sobre o interesse de Laucídio por inovações.

Segundo as lembranças da família, ele apostou no uso do trator e investiu em geração de energia na fazenda. Também construiu serraria, olaria e hangar para avião.

Os relatos incluem ainda o acompanhamento aéreo das comitivas e investimentos ligados ao processamento e à comercialização de carne. São histórias de um período em que distâncias eram maiores e a tecnologia demorava para chegar.

Mas talvez exista um risco quando se conta a trajetória de uma família tradicional apenas pelas grandes realizações. Há um risco de esquecer da vida que acontecia dentro de casa, e o encontro deste fim de semana também tenta olhar para ela.

Foi durante a preparação do museu que algumas dessas pequenas histórias voltaram à superfície. Uma delas envolve uma mulher, linha, agulha e um costume que atravessou décadas.

Leonor, chamada pelos familiares de Vó Nola, era mãe de Lúcia. Segundo Paulo, ela ficou viúva aos 23 anos e tinha três filhos. Ela seguiu criando a família, mais tarde vieram os netos, e para cada um deles, havia um presente.

Quando nascia um menino, Vó Nola fazia uma onça de crochê, se fosse uma menina, fazia uma pomba. Algumas dessas peças sobreviveram e hoje estão entre os objetos que ajudam a contar a história da família.

Ela aguardava a chegada dos netos, diz que dedicava tempo a fazer algo para cada um. “As mulheres também sustentaram essa árvore, criaram filhos, guardaram objetos, repetiram histórias, mantiveram costumes e fizeram com que pequenas lembranças chegassem até aqui.

Não é apenas algo material, mas é algo que traspassa as gerações e vai dando esse sentido de pertencimento para as famílias,'' conta Paulo. O museu montado para o encontro aprofundou justamente essa sensação de tocar a história.

Kenneth conta que o trabalho das tias reuniu objetos e itens guardados pela família, transformando lembranças contadas oralmente em algo concreto. “Você tem aquele contato físico e que dá uma tangibilidade, deixa mais concreta aquela história toda.

Acho que isso foi muito legal”, explica. Além dos objetos, Kenneth também cita o livro que publicou sobre Laucídio, Um legado forjado entre rios. Para ele, o registro escrito e o acervo exposto cumprem papéis diferentes, mas complementares.

O livro organiza a trajetória histórica. Já os objetos permitem que os descendentes vejam de perto aquilo que fez parte da vida de outras gerações. A própria Fazenda Bela Vista entra nesse conjunto de memórias.

A sede foi fundada em 1892 e permanece como parte desse legado familiar. Paulo aprendeu também com o avô paterno, Paulo Coelho Machado, a importância de registrar as coisas.

Apesar do sobrenome em comum, ele explica que o avô paterno não era parente de Laucídio mas ficou uma lição. Conversar é importante e escrever também. “Não só a palavra passada de pai para filho nas conversas, que é superimportante, mas tudo que a gente conseguir registrar, que a gente conseguir deixar em memória escrita, é muito importante.” Por isso, voltar às origens não significa necessariamente viver de nostalgia é também uma corrida contra o esquecimento.

Kenneth esteve nos encontros anteriores e ajuda a colocar essa passagem de tempo em perspectiva. Segundo ele, houve uma reunião em 1994 e outra em 1998. Depois disso, veio um intervalo que ele próprio considera maior do que deveria.

Nos últimos anos, esse interesse pela própria história parece ter reaparecido com força. Famílias procuram documentos, montam árvores genealógicas, digitalizam fotografias, gravam conversas com os mais velhos, voltam às receitas dos avós e até tentam descobrir a cidade de onde vieram seus antepassados”, comenta.

Mas existe uma diferença fundamental entre uma família numerosa e uma família unida. Uma não garante a outra, é possível ter centenas de parentes e conhecer poucos.

O encontro dos Coelho parte justamente dessa consciência. “O número de integrantes cresceu, e agora, o desafio é impedir que o crescimento vire distância. Por mais que hoje em dia com a internet tudo é tão efêmero, tudo é tão rápido, mas encontros assim, eles dão um sentido muito grande para as famílias, de amor, de pertencimento, de união'', diz Paulo.

O próximo encontro ainda não tem data marcada, mas a família seguirá crescendo. Outras crianças chegarão e aquelas que hoje apenas escutam talvez sejam, no futuro, as pessoas encarregadas de contar.

0x Diferentes gerações da família Coelho se reúnem durante o terceiro ‘Coelho Sai da Toca’, em Campo Grande, em um registro que traduz o espírito de convivência e pertencimento do encontro.

Para uma família ligada à história de Campo Grande e que hoje se espalha por diferentes núcleos e gerações, permanecer próxima exige esforço. Não basta ter o mesmo sobrenome, é preciso se encontrar.

E, para o estrategista de Tecnologias Emergentes e IA e integrante da família, Kenneth Corrêa, talvez esse seja o sentido mais verdadeiro do encontro. “Com o passar dos anos, as ocasiões de reencontro acabam ficando cada vez mais raras.

A gente acaba se encontrando só nos velórios e isso é muito ruim”, lamenta.

O chef Paulo Coelho Machado conta que o primeiro encontro aconteceu na Fazenda Bela Vista. Naquela época, a árvore formada pelos descendentes de Laucídio Coelho e Lúcia Martins Coelho já reunia mais de uma centena de pessoas.

É difícil medir o valor de uma conversa entre pessoas de idades diferentes, talvez um dos mais velhos conte uma história já repetida dezenas de vezes. Talvez um jovem escute pela primeira vez, alguém corrija uma data, ou outro lembre de um detalhe.

E, aos poucos, aquilo que poderia ficar preso a uma fotografia antiga volta a ter voz. Para Paulo, preservar essas lembranças cria algo que vai além da curiosidade sobre o passado.

Programação – A sexta-feira começou com a chegada dos familiares ao hotel, e a partir das 14h, vieram check-in, piscina e uma dinâmica de recepção. Mais tarde, o grupo se reuniu para um café de boas-vindas.

O chef Paulo relata histórias sobre o interesse de Laucídio por inovações. Segundo as lembranças da família, ele apostou no uso do trator e investiu em geração de energia na fazenda.

Algumas dessas peças sobreviveram e hoje estão entre os objetos que ajudam a contar a história da família. Ela aguardava a chegada dos netos, diz que dedicava tempo a fazer algo para cada um.

O museu montado para o encontro aprofundou justamente essa sensação de tocar a história. Kenneth conta que o trabalho das tias reuniu objetos e itens guardados pela família, transformando lembranças contadas oralmente em algo concreto.

A própria Fazenda Bela Vista entra nesse conjunto de memórias. A sede foi fundada em 1892 e permanece como parte desse legado familiar.

Paulo aprendeu também com o avô paterno, Paulo Coelho Machado, a importância de registrar as coisas. Apesar do sobrenome em comum, ele explica que o avô paterno não era parente de Laucídio mas ficou uma lição.

Por isso, voltar às origens não significa necessariamente viver de nostalgia é também uma corrida contra o esquecimento. Kenneth esteve nos encontros anteriores e ajuda a colocar essa passagem de tempo em perspectiva.

Fontes consultadas

  • A Críticalink