Ir para o conteúdo
Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Emenda de R$ 1 milhão de Pollon é citada em investigação sobre "Dark Horse"

5 min de leitura
Emenda de R$ 1 milhão de Pollon é citada em investigação sobre "Dark Horse"

Deputado de MS endereçou recurso à Academia Nacional de Cultura para projeto em SP, mas valor não foi pago.

O recurso, porém, não chegou a ser pago e não teve execução financeira, segundo informações citadas na decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O valor nunca foi pago. A emenda aparece na decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou operação da Polícia Federal contra organizações ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pela cinebiografia "Dark Horse.

A emenda de número 202444200010 foi destinada à ANC (Academia Nacional de Cultura), também presidida por Karina Gama, alvo da operação Make Up. O projeto indicado como beneficiário é o “Heróis Nacionais”, com execução prevista no Estado de São Paulo.

A relação de Pollon com a entidade aparece na decisão de Dino no contexto da investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo recursos de emendas parlamentares destinados a organizações ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”.

A operação, deflagrada nesta quinta-feira (10) pela Polícia Federal e pela CGU (Controladoria-Geral da União), cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.

Entre os alvos estão o ICB (Instituto Conhecer Brasil) e a Academia Nacional de Cultura, entidades presididas por Karina Ferreira da Gama.

Em consulta ao Portal da Transparência em 11 de junho de 2026, a CGU também informou que não constava o recebimento de recursos federais pela Academia Nacional de Cultura.

É justamente a aplicação desse dinheiro que concentra parte das suspeitas investigadas pela PF.

Segundo os documentos que embasaram a decisão de Dino, a auditoria da CGU foi determinada para analisar as emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, incluindo duas emendas de Frias, uma de Pollon e outra de Bia Kicis.

No caso de Pollon, entretanto, o documento não aponta pagamento ou execução financeira da emenda.

O parecer também considera tecnicamente favorável a proposta para execução do projeto “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rende”, uma série documental com três episódios.

O plano de trabalho aponta como executor a própria Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e previa a produção dos três episódios da série.

O Ministério da Cultura pediu complementações ao plano em março e novamente em agosto de 2025, mas o documento nunca chegou a ser aprovado. O prazo de execução informado no sistema, de janeiro a novembro de 2025, também já venceu.

Assim, embora o recurso tenha saído do Tesouro, a emenda de Pollon segue sem execução e permanece parada no Estado de São Paulo.

O parecer técnico paulista mostra ainda que, antes da paralisação, a proposta havia recebido manifestação favorável da área técnica. O documento afirma que as pendências apresentadas anteriormente haviam sido sanadas e que não foram identificadas razões que inviabilizassem a aprovação do projeto.

Possível problema na destinação para São Paulo - A decisão do ministro também chama atenção para a origem parlamentar dos recursos e o local onde eles seriam aplicados.

De acordo com a decisão, essa situação “revela aparente desconformidade” com a exigência de vinculação federativa estabelecida pelo Supremo para a destinação de emendas parlamentares.

A decisão não atribui a Pollon desvio dos recursos e também não o inclui entre os alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quinta-feira.

Investigação mira recursos que chegaram às entidades - A apuração conduzida pela PF e pela CGU é mais ampla e envolve organizações ligadas a Karina Ferreira da Gama, além de empresas que aparecem relacionadas à produção de “Dark Horse”.

A decisão de Dino cita auditoria da CGU que apontou problemas na capacidade técnica e operacional do Instituto Conhecer Brasil para executar um dos projetos financiados com os recursos.

A análise também encontrou fragilidades nos planos de trabalho e questionamentos sobre a comprovação da experiência apresentada pela organização.

A CGU apontou ainda que documentos apresentados pelo instituto para comprovar experiência anterior não continham registros independentes suficientes sobre a realização das atividades, o atendimento dos beneficiários, o cumprimento das metas, a prestação de contas ou os resultados alcançados.

Em relação às instalações apresentadas pela entidade, a auditoria também encontrou divergências entre os endereços informados e os locais efetivamente vistoriados.

Esses apontamentos fazem parte do conjunto de informações utilizado para fundamentar a investigação sobre os recursos que efetivamente chegaram ao Instituto Conhecer Brasil.

As medidas desta quinta-feira atingiram Mario Frias, Karina Ferreira da Gama e outras pessoas físicas e jurídicas relacionadas à investigação. O ministro também impôs medidas cautelares a Frias, incluindo a proibição de deixar o país e de manter contato com os demais investigados.

Segundo ele, a proposta previa a produção de uma série documental de alcance nacional sobre personagens da história brasileira, como Padre José de Anchieta e Dom Pedro I.

Pollon sustenta, porém, que o projeto não chegou a ser executado e que nenhum valor da emenda foi repassado à entidade investigada. O deputado afirma que essa informação consta em documento da Polícia Federal divulgado pelo ministro Flávio Dino.

Diante da não execução do projeto, Pollon diz ter solicitado ao Governo de São Paulo que o recurso fosse realocado para o Hospital de Amor de Barretos, referência no tratamento contra o câncer e que recebe pacientes de Mato Grosso do Sul.

O parlamentar também rebate a possível irregularidade relacionada à indicação de recursos para outro Estado. Segundo Pollon, a emenda foi apresentada em 2023, antes da decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 854, de agosto de 2024, que estabeleceu restrições para a destinação de emendas a outros estados.

No texto, Pollon também acusa parte da imprensa de utilizar informações da investigação para construir uma narrativa política contra parlamentares bolsonaristas e afirma que não se opõe à apuração dos fatos.

O deputado classificou como “fake news” eventuais informações que, segundo ele, omitam dados dos documentos oficiais ou misturem datas e circunstâncias distintas.

Em números

  • Emenda de R$ 1 milhão de Pollon é citada em investigação sobre "Dark Ho

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Fontes consultadas

  • Campo Grande Newslink