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Mato Grosso do Sul Revisado por ULTRA AI

Açougueiro relata 9 dias de angústia após erro em teste de HIV

4 min de leitura
Açougueiro relata 9 dias de angústia após erro em teste de HIV

Caso ocorreu há 3 anos, mas indenização por danos morais foi confirmada pela Justiça somente neste mês.

Os nove dias mais longos e angustiantes da vida de Adilson Pires Chaves começaram quando ele recebeu, por engano, um diagnóstico positivo de HIV. O exame feito foi um teste rápido e o resultado saiu na hora numa USF (Unidade de Saúde da Família) de Campo Grande.

Entre aquela notícia, o tempo de processar o que estava acontecendo e procurar outros locais para refazer o exame, o homem dormiu pouco, faltou ao trabalho e ficou sem saber o que seria do casamento a partir dali.

Adilson decidiu que não teria mais relações sexuais com a esposa. Ele não pensou na possibilidade de contato com objeto cortante ou sangue contaminado, a traição era a principal suspeita.

Resultados da pesquisa sobre "sintomas do HIV" na internet o deixaram ainda mais desesperado.

Ânsia de vômito, dor de cabeça, diarreia. Foi o que apareceu no celular e deu tudo isso em mim, você acredita?", diz.

Apesar das suspeitas, a maior dúvida era sobre o resultado do teste. "Na minha mente eu sabia que não tinha aquilo", afirma.

O problema foi um segundo teste não ter sido realizado na sequência, como orienta o Ministério da Saúde para confrontar um possível falso positivo.

O resultado veio seco. “Me falaram assim: ‘Agora, o senhor vai voltar no seu médico e ele vai te passar um coquetel. Vai levar uma vida normal’. Eu disse que não ia retornar coisa nenhuma”, relata.

Adilson, que trabalhava e ainda trabalha como açougueiro em horário comercial, usou as horas livres para conversar com amigos que o aconselharam a fazer testes em outros lugares e a procurar um advogado caso fosse um erro.

Foi assim que procurou outra USF e um laboratório particular. “Fiz dois exames, o mesmo que no outro posto de saúde e mais um com um aparelho diferente. Os dois deram negativo.

Aí procurei saber com um enfermeiro se eu poderia procurar um particular. Fui e o primeiro resultado saiu no outro dia. Deu negativo e paguei mais dois testes. Até a menina falou assim: ‘Oh, Adilson, não precisa ficar fazendo todo dia, não.

Já deu negativo três vezes, não tem necessidade disso’”, conta.

Ao todo, foram cinco resultados negativos e um positivo em nove dias.

Homem se cuidando - Adilson diz que procurou a primeira USF não porque tinha suspeita de uma IST (infecção sexualmente transmissível), mas sim porque queria cuidar mais da saúde.

No último ano, havia adoecido com covid-19 e ficou internado após sofrer um acidente grave de bicicleta. Chegou a ter trombose e uma infecção hospitalar ainda.

Com os seis exames feitos, ele procurou um advogado, que entrou com o processo pelo erro de diagnóstico. Ouviu mais um conselho que veio do profissional. “O doutor falou para eu procurar um psiquiatra.

Daí eu fui e tomei um remédio por uns três meses para me estabilizar. Foi depois da consulta que consegui falar com a minha esposa”, relata. Além da medicação, o especialista recomendou 14 dias de afastamento e entendeu que o quadro era de estresse grave e ansiedade.

O açougueiro afirma que a conversa com a companheira foi tranquila. “Imagina você ficar mais de uma semana sem ter relação com sua esposa e não poder falar nada.

Só quando eu tinha os negativos em mãos, falei o que aconteceu e mostrei tudo para ela, que confiou em mim”, diz.

O processo - O advogado de Adilson apresentou os diagnósticos psiquiátricos e os resultados de todos os exames para mostrar como o erro impactou sua vida.

Já o Município alegou que foram observados os procedimentos indicados pelo Ministério da Saúde e argumentou que os falsos positivos são previstos em testes de triagem.

A Prefeitura recorreu da decisão de primeiro grau, mas a sentença foi mantida integralmente pela 3ª Câmara Cível em decisão divulgada em 21 de agosto deste ano.

O Tribunal concluiu que o aviso sobre a janela imunológica serve para alertar sobre casos de exames negativos em pessoas expostas ao vírus e não deve ser confundido com a obrigação de avisar formalmente, por escrito, que o primeiro resultado reagente é parcial.

Foi a segunda condenação desse tipo este ano. A prefeitura foi condenada também a indenizar pelo erro no diagnóstico de Silvia das Neves Garcia, que viveu oito anos pensando que tinha HIV, tomou medicamentos durante todo esse tempo e sofreu todo tipo de preconceito.

Fontes consultadas

  • Campo Grande Newslink