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Inteligência Artificial

Por que empresas que aceleraram a corrida da IA agora defendem pisar no freio

Executivos do setor passaram a defender mais cautela no avanço da tecnologia diante de riscos de segurança, desafios econômicos e da disputa pela liderança entr

5 min de leitura
Por que empresas que aceleraram a corrida da IA agora defendem pisar no freio

Executivos de grandes empresas de tecnologia passaram a defender uma pausa no avanço da inteligência artificial para tornar o desenvolvimento da tecnologia mais seguro.

  • 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1.
  • REPERCUSSÃO: Trump minimiza riscos, China vê ameaças e UE pede segurança.
  • Os Estados Unidos enfrentam um desafio energético para sustentar toda a IA que prometem desenvolver, enquanto o ritmo de construção de data centers está mais lento do que gostariam.
  • O retorno sobre os investimentos está mais lento do que o esperado para justificar novos aportes no setor.
  • Os modelos de IA chineses estão ganhando espaço na adoção global e são mais baratos do que os norte-americanos. Em muitos casos, oferecem capacidade semelhante por um custo bem menor.
  • Propor uma regulação mais dura pode dificultar a entrada de novas empresas no mercado e favorecer as que já estão na liderança, aumentando a concentração do setor.

CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA.

O movimento ganhou força após um texto publicado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pela IA Claude.

Dada a aceleração do desenvolvimento de capacidades de IA, me preocupa que, em 6 a 12 meses, tal enxame possa ser capaz de dominar toda a internet. Se não for controlada, pode ultrapassar nossa capacidade de entender e controlar esses sistemas, e por isso seu desenvolvimento deve avançar com muito cuidado, se é que deve avançar”, escreveu Amodei.

O discurso também foi defendido por executivos de empresas que concorrem com a Anthropic, como Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT; Elon Musk, dono do X e da empresa de IA xAI; e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind.

Concordo com Dario que precisamos marcar o ritmo da fronteira. Esse tem sido um tema principal das discussões que tivemos na OpenAI. Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários é uma ótima ideia, e faremos o mesmo.

Teremos mais para compartilhar em breve", escreveu Sam Altman logo em seguida.

Dario está certo", escreveu o trilionário Elon Musk.

Amodei também pediu que auditores independentes acompanhem e verifiquem os padrões de segurança das companhias. Segundo o site de tecnologia The Information, Anthropic, OpenAI e Google discutiram secretamente a criação de um órgão para estabelecer padrões de segurança em IA.

A defesa por mais cautela também ocorre após uma série de episódios que levantaram preocupações sobre o controle da tecnologia nos últimos meses, incluindo relatos de ataques realizados por IA.

Além disso, na semana passada, um pesquisador que deixou a OpenAI para trabalhar na Anthropic abandonou a indústria de IA e acusou as duas empresas de "brincar com as nossas vidas.

De fato, os modelos estão ficando cada vez mais capazes de executar tarefas complexas e longas, então a preocupação é legítima. Será que estamos indo rápido demais e os humanos podem eventualmente perder o controle quando milhares de agentes de IA começarem a agir com certo grau de autonomia?", analisa ao g1 Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP.

Para ele, é muito difícil saber o que é legítimo nesse discurso e o que é apenas uma estratégia para proteger o próprio mercado e a indústria.

Me parece ser a combinação dos dois, até porque isso ajuda a fortalecer a mística de que esse tipo de tecnologia é inevitável e deve ser desenvolvida por quem se vende como os bonzinhos da história", completa.

Segundo Cortiz, há outros fatores que ajudam a explicar a preocupação com o ritmo de desenvolvimento da IA.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026.

O presidente dos EUA, Donald Trump, comparou, neste domingo (13), os críticos da inteligência artificial a "forças muito negativas" que estão levantando cenários que não vão acontecer.

Ele também disse que quer garantir que os EUA continuem na liderança do setor.

Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo [...] Poderíamos colocar barreiras de proteção.

Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam", afirmou Trump.

A China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento de IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país.

Forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais", escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.

Em seu texto, Amodei defende uma colaboração entre empresas de "países democráticos" e aconselha "não vender chips de IA potentes ou equipamentos de fabricação de semicondutores para a China.

Ele diz que "as medidas aumentam a influência das democracias e tornam um acordo [com a China] mais provável no futuro.

Nesta segunda-feira, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que o bloco é a favor do desenvolvimento da inovação em IA, mas que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros.

Já o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, vê como positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, afirmou seu porta-voz.

Segundo ele, as decisões sobre o tema precisam se basear em evidências.

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