Novas observações do espaço profundo reforçam a possibilidade de que a Cloud-9 seja uma galáxia sem estrelas. Mesmo com imagens muito mais sensíveis que as obtidas anteriormente, astrônomos não encontraram nenhum sinal de luz estelar na região.
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- De acordo com o modelo cosmológico padrão, as galáxias se formaram dentro de concentrações de matéria escura. Essa substância interage apenas por meio da gravidade e não pode ser observada diretamente pelos telescópios.
- Esses aglomerados de matéria escura podem ter diferentes tamanhos. Os maiores atraíram grandes quantidades de gás e acabaram formando galáxias e aglomerados de galáxias. Estruturas menores, conhecidas como halos escuros, também são esperadas.
- A Cloud-9 estaria na extremidade superior da faixa de massa esperada para esses halos. Isso permitiria que ela mantivesse seu gás e, como uma RELHIC, pudesse ser detectada por observações de rádio.
A Cloud-9 foi descoberta no início deste ano e consiste em uma nuvem de hidrogênio com aproximadamente 4,9 mil anos-luz de extensão. O objeto é considerado o primeiro representante de uma nova classe de estruturas chamadas Nuvens de Hidrogênio Limitadas pela Reionização, ou RELHICs, na sigla em inglês.
A questão agora é determinar se a Cloud-9 realmente não possui estrelas.
Para investigar isso, pesquisadores utilizaram o instrumento HiPERCAM, instalado no Gran Telescopio Canarias (GTC), nas Ilhas Canárias, na Espanha. As novas imagens são cerca de dez vezes mais sensíveis que as observações anteriores — e, ainda assim, nenhuma luz proveniente de estrelas foi identificada.
Com os dados, a equipe conseguiu estabelecer um limite superior para a quantidade de estrelas que poderia existir na Cloud-9. Considerando a possibilidade de uma população primordial de estrelas, os pesquisadores estimam que a massa estelar do objeto seja de, no máximo, 16 mil vezes a massa do Sol.
Para efeito de comparação, um volume equivalente ao ocupado pela Cloud-9 nas proximidades do Sol conteria dezenas de milhões de estrelas.
As observações de rádio que levaram à descoberta indicam que a Cloud-9 contém uma quantidade de hidrogênio equivalente a cerca de um milhão de massas solares.
Se o objeto for realmente um halo escuro, a proporção entre matéria escura e matéria comum seria extraordinariamente alta: aproximadamente cinco mil para um. Na maioria das galáxias, essa proporção fica em torno de cinco para um.
A massa da Cloud-9 também pode explicar por que ela permaneceu sem formar estrelas.
A Cloud-9 não é a primeira candidata a uma galáxia sem estrelas. Antes dela, havia a J0613+52, uma nuvem de hidrogênio do tamanho da Via Láctea, localizada a aproximadamente 270 milhões de anos-luz da Terra.
O objeto, porém, é bastante diferente da Cloud-9.
Com as novas observações, a Cloud-9 passou a ser considerada a candidata mais promissora a uma galáxia sem estrelas.
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
Em números
- Descoberta no início deste ano e consiste em uma nuvem de hidrogênio com aproximadamente 4,9 mil anos-luz de extensão
- L de estrelas, os pesquisadores estimam que a massa estelar do objeto seja de, no máximo, 16 mil vezes a massa do Sol
- J0613+52, uma nuvem de hidrogênio do tamanho da Via Láctea, localizada a aproximadamente 270 milhões de anos-luz da Terra
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