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Discord entra na mira da ANPD após morte de adolescente

A ANPD abriu processo de fiscalização contra o Discord para investigar possíveis falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes

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Discord entra na mira da ANPD após morte de adolescente

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) abriu, nesta sexta-feira (7), um processo de fiscalização contra o Discord para investigar possíveis falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes. A apuração ocorre após a morte de uma adolescente de 13 anos e busca verificar se a empresa cumpriu as obrigações previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, em vigor desde março.

Entre os pontos analisados pela agência estão possíveis falhas na prevenção da exposição de menores a conteúdos ou contatos que incentivem, estimulem ou facilitem a automutilação e o suicídio. A ANPD também pretende verificar se o Discord possui mecanismos eficazes para identificar a idade dos usuários e se adota procedimentos adequados para remover conteúdos ilegais e comunicar casos graves às autoridades.

O Olhar Digital procurou o Discord e aguarda um retorno oficial.

A fiscalização da ANPD ocorre paralelamente às investigações conduzidas por outros órgãos públicos. A Polícia Civil e o Ciberlab, laboratório da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) especializado na investigação de crimes cibernéticos, também apuram o caso.

A investigação teve início após a morte de uma menina de 13 anos em Naviraí (MS), em 22 de julho. Segundo informações da Polícia Civil e do Ministério da Justiça, a adolescente teria sido coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord, que teria durado cerca de 45 minutos.

Durante o cumprimento de mandados relacionados à operação, que teve como alvo seis integrantes do grupo investigado em diferentes estados, autoridades afirmam ter encontrado materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil.

Segundo as investigações, o grupo utilizava Discord e Telegram para atrair vítimas, disseminar discursos de ódio, promover a radicalização de jovens e estimular comportamentos violentos. As vítimas identificadas na apuração eram meninas.

As informações sobre a participação de integrantes do grupo e sobre eventuais responsabilidades ainda fazem parte das investigações conduzidas pelas autoridades.

Além do processo aberto pela ANPD, representantes do Discord se reuniram nesta sexta-feira (7) com integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir medidas de adequação da plataforma às normas brasileiras.

A empresa se comprometeu a apresentar até segunda-feira (10) um plano com ações para ampliar a proteção dentro do serviço, principalmente de mulheres, crianças, adolescentes e animais.

Durante a reunião, os representantes do Discord também assumiram compromissos relacionados ao chamado dever de cuidado, que prevê a adoção de medidas pelas plataformas para reduzir riscos e proteger os usuários.

A empresa deverá apresentar uma versão mais detalhada das medidas discutidas com a AGU. Segundo a GloboNews, integrantes da Advocacia-Geral da União consideraram a reunião desta sexta produtiva.

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

Fontes

Informação baseada em material público de Olhar Digital, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Olhar Digitallink