Melhores momentos de Ponte Preta 1 x 1 Náutico pela 22ª rodada da Série B.
A crise da Ponte Preta já ultrapassou os limites do campo. Depois do empate por 1 a 1 com o Náutico, nesta sexta-feira, no Moisés Lucarelli, o técnico Márcio Zanardi fez um dos desabafos mais contundentes desde que assumiu o comando da equipe e admitiu que o cenário vivido pelo clube tem provocado desgaste físico e mental nos jogadores.
A Macaca saiu na frente com Brandão, mas sofreu o empate de Borasi no segundo tempo e chegou ao 16º jogo consecutivo sem vencer na Série B. São 13 derrotas e três empates na sequência.
Com apenas 10 pontos, a Ponte ocupa a última colocação da competição.
A parte física e mental estão esgotadas - resumiu Zanardi ao projetar a preparação para o próximo compromisso, contra o Vila Nova, em Goiânia.
O treinador terá pouco tempo para recuperar os jogadores. A Ponte entra em campo novamente na próxima quarta-feira e, diante da limitação do elenco, Zanardi já planeja reduzir as atividades no campo para preservar os atletas.
No sábado, vai treinar quem jogou pouco. No domingo é tentar recuperar um pouco mais, seguir recuperando na segunda e tentar trabalhar mais no vídeo do que no campo para não esgotá-los.
Sem conseguir utilizar os reforços contratados para a sequência da Série B por causa dos transfer bans, a Ponte tem recorrido cada vez mais aos jogadores das categorias de base.
Contra o Náutico, três deles foram relacionados para o banco: Matheus Souza, Caio Vinicius e Gabriel Cicala. Segundo Zanardi, nenhum dos três havia realizado treinamento com o elenco profissional antes da partida.
Eu vim da base e a gente sempre sonha em promover estreias profissionais. Existem muitos problemas aqui no profissional e na base também não é diferente. Com isso, a gente acaba trabalhando para que a base ajude o profissional.
É até injusto com eles, mas é uma oportunidade e o futebol é feito disso. A responsabilidade não é deles.
Os mais experientes ajudaram muito, principalmente o Elvis, e isso é importante. A cobrança não pode ser em cima deles. Abracei cada um, agradeci e disse que eles precisam ter orgulho do que fizeram.
Não é apenas uma questão de salário.
Para Zanardi, porém, o problema enfrentado pela Ponte não se resume aos salários atrasados. O técnico afirmou que o ambiente de dificuldades interfere diretamente na cabeça dos jogadores e, consequentemente, no desempenho dentro de campo.
O treinador também revelou que precisa recorrer à família e à terapia para lidar com a pressão do momento.
Eu faço terapia, converso com a minha família e sei que estou tentando fazer o meu melhor. A Ponte é grande, é digna, é um clube grande. Estou tentando trabalhar da melhor forma possível.
São muitas dificuldades e estamos tentando enfrentá-las.
Zanardi afirmou ainda que não se considera acima dos problemas enfrentados pelos demais profissionais do clube.
Eu ouvi que recebi três salários, mas como eu vou receber? Eu estou no mesmo barco, esperando receber. O nosso objetivo é dar uma condição digna para os jogadores, para os funcionários.
Eu não estou feliz porque sou muito competitivo, mas é um momento que está me gerando muito aprendizado. O clube precisa reagir, dar condições, mas o trabalho está sendo feito.
Apesar das dificuldades, Zanardi disse manter contato diário com os dirigentes e transferiu para a administração a responsabilidade pela solução dos problemas estruturais.
Eu falo todos os dias com eles. Eles estão trabalhando atrás de recurso para organizar. Não adianta eu ficar ligando, cobrando, pedindo. Eu trabalho com o que eu tenho.
Quando você não tem dinheiro pra nada, falta tudo.
A Série B exige muito, é uma competição muito profissional e você precisa de estrutura para encarar. Se eu for enumerar todos os problemas que faltam no clube, vou ficar a noite inteira aqui.
Todo esse externo acaba influenciando no resultado.
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A Ponte volta a campo na próxima quarta-feira, contra o Vila Nova, fora de casa, pela 23ª rodada da Série B.
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Fontes
Informação baseada em material público de ge.globo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.