Depois de 125 dias e 2. 200 quilômetros, Luiz Aragão completou a Volta ao Rio, terceira perna da BR3, a tríplice coroa brasileira de trilhas. Uma jornada que exigiu mais de seis meses de planejamento e trouxe boas surpresas, à revelia da imagem que se tem do estado do Rio de Janeiro a partir do noticiário policial.
Aragão, coronel aposentado, ex-chefe do Parque Nacional de Itatiaia e apaixonado por caminhadas, é o grande incentivador da consolidação da BR3. O projeto já o levou a percorrer 750 quilômetros pela chamada Transespinhaço, de Ouro Branco (MG) até a divisa com a Bahia, e quase 1.
000 quilômetros da Transmantiqueira, de São Paulo até Ibitipoca (MG). Tudo isso, sempre de forma voluntária e contando apenas com seus próprios recursos.
No planejamento, Aragão levantou o máximo de informações sobre o trajeto pretendido. A partir de mapas e imagens de satélite, muitas ligações a gestores dos municípios e das unidades de conservação, ele montou o roteiro básico.
Ao retornar, trouxe na mochila informações valiosas sobre os melhores pontos para acampar, se hospedar, reabastecer suprimentos e, até, locais onde há sinal de internet.
Também registrou a verdadeira altimetria do percurso, possíveis lugares onde um resgate é mais viável e há água disponível.
A Volta ao Rio, que Aragão estima poder chegar a 3. 000 quilômetros, conecta mais de 80 unidades de conservação (federais, estaduais e municipais) e mais de 50 municípios fluminenses.
O ponto de largada e chegada fica aos pés do Cristo Redentor, no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Pelo caminho, passa por unidades como o Parque Nacional da Serra dos Órgãos, o Parque Estadual dos Três Picos e o Parque Nacional de Itatiaia.
Além de ser a trilha mais longa das três já mapeadas por ele, a Volta ao Rio tem uma característica muito diferenciada: é de perfil misto. "Foram 30 dias de caminhada pela região serrana, seguidos de 5 dias em caiaque pelo rio Paraíba do Sul, em um trecho que ninguém havia navegado de ponta a ponta, da serra até o litoral, e mais caminhada e pedalada pelo litoral até Niterói", conta Aragão.
E para quem, como ele próprio, imagina que circular mochila às costas pelas quebradas da Baixada Fluminense e adjacências é temerário, uma surpresa: "Pelo que a gente vê nos jornais e na TV, eu sabia que ia ter medo, nos primeiros dias o celular com os mapas ficava escondido, mas depois do quinto dia relaxei e me perguntava, 'cadê aquele Rio violento.
Então passei a usar o celular pendurado na alça da mochila", relata, garantindo que não viveu, nesses mais de quatro meses, nenhuma situação de risco. Ao menos, não os riscos urbanos.
Risco, só mesmo o inerente à jornada, de raios, cobras que com chuva são muito mais frequentes, essas coisas", afirma.
Mas, para não dizer que o mundo fluminense é todo cor de rosa, Aragão conta que, ao chegar de volta ao Rio de Janeiro, já com a esposa a caminho do encerramento oficial da jornada, o susto aconteceu.
Viramos uma curva e demos de cara com um sujeito, à entrada de uma comunidade, com uma arma enorme em punho", relata. "Mas, como não entramos lá, não tivemos problema, foi só mesmo o susto.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…