Em 2009, Usain Bolt estabeleceu o recorde mundial masculino dos 100 metros rasos, com 9,58 segundos, no Campeonato Mundial de Atletismo, em Berlim. No sábado (22), um robô humanoide desenvolvido pela empresa chinesa X-Humanoid superou essa marca em 0,19 segundo, segundo a mídia estatal chinesa.
O robô encerrou a corrida chocando-se em alta velocidade contra uma parede acolchoada, caiu e foi carregado por assistentes humanos.
Proezas de grande repercussão envolvendo o desempenho atlético de robôs têm se tornado cada vez mais comuns na China, onde a indústria de robótica humanoide prosperou, impulsionada pelo generoso apoio estatal e por bilhões em investimentos.
Robôs já dançaram e apresentaram artes marciais nos principais eventos do país.
Nos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, realizados em Pequim no fim de semana, eles lutaram boxe e participaram de partidas de futebol. Um deles jogou tênis contra um adversário humano, deslocando-se pela quadra e ajustando o corpo para rebater as bolas.
No início deste ano, um robô correu uma maratona mais rápido do que qualquer ser humano na história.
Mas o que essas proezas robóticas sobre-humanas realmente representam.
A maioria dos esportes praticados pelos humanoides não se traduz diretamente em utilidade para muitas das tarefas corriqueiras que se pretende que eles executem, como ajudar em casa", disse Michael Milford, professor e diretor do centro de robótica da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália.
Os robôs são "capazes em provas muito específicas e um tanto artificiais", afirmou.
A mídia chinesa também reconheceu, em sua cobertura dos jogos, a distância entre o desempenho atlético e as aplicações no mundo real.
Um robô de fábrica não precisa vencer uma corrida de velocidade, assim como um robô de serviços não precisa de uma medalha", afirmou um comentário publicado pela Xinhua, a agência estatal de notícias.
Mas cada avanço em velocidade, estabilidade e precisão na arena de competição pode deixar os robôs um passo mais perto de se tornarem genuinamente úteis fora dela.
Mesmo sem aplicações significativas e comprovadas no mundo real, essas demonstrações de grande repercussão e a atenção que atraíram já estão rendendo alguns frutos.
A Unitree Robotics —empresa de robótica humanoide cujos vídeos de robôs praticando kung fu, kickboxing e dando saltos mortais para trás acumularam milhões de visualizações na internet, e cujos robôs tiveram forte presença nos Jogos de Robôs Humanoides do ano passado— estreou na Bolsa de Valores de Xangai na semana passada.
Suas ações encerraram o primeiro dia de negociação com alta de mais de 460%.
Alan Fern, professor de robótica da Universidade Estadual do Oregon, integrou uma equipe de pesquisa que estabeleceu, em 2022, o recorde mundial do Guinness para a corrida de 100 metros mais rápida realizada por um robô sobre duas pernas.
O robô completou a prova em 24,73 segundos. Passar dessa marca para os 9,39 segundos da X-Humanoid, em quatro anos, foi uma "conquista enorme", afirmou.
Mas ele observou que as empresas de robótica já adquiriram relativa experiência na fabricação de robôs capazes de correr, saltar e realizar acrobacias em ambientes controlados.
Acrescentou que os avanços graduais nesses esportes estão ligados principalmente ao desenvolvimento de equipamentos melhores e ao aperfeiçoamento dos controles, e não a uma grande inovação tecnológica.
Segundo ele, o robô dos jogos em Pequim capaz de jogar tênis contra um humano foi mais impressionante, porque precisava interagir com algo imprevisível.
A maioria dos robôs enfrenta dificuldades em situações nas quais precisa se adaptar a mudanças. O robô tenista, porém, tinha de acompanhar uma bola em alta velocidade, decidir para onde se deslocar, coordenar o corpo e calcular o momento exato do golpe.
Os robôs ainda estão longe da perfeição, e acidentes foram frequentes nos jogos. Segundo vídeos do evento, houve robôs que caíram, provocaram pequenos incêndios e colidiram com objetos.
O estilo incomum de corrida de uma das máquinas, com os braços erguidos perto do rosto, rendeu-lhe o apelido de "robô tímido" na rede social Weibo. Muitos dos robôs corredores não pareciam capazes de desacelerar sozinhos e, em vez disso, paravam ao se chocar contra uma barreira acolchoada.
A visão de que robôs humanoides um dia serão capazes de fazer tudo o que um ser humano faz ainda está longe de se concretizar, disse Fern.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Esporte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.