Um homem suspeito de se passar pelo técnico Luís Castro, do Grêmio, para aplicar golpes em jogadores de futebol foi preso nesta quarta-feira (2), em Itaperuna, no interior do Rio de Janeiro.
O homem de 29 anos foi preso na Operação Falso 9, realizada pelas polícias civis do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Ele é investigado por estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
Durante a ação, os policiais também encontraram munição com ele.
A polícia não soube informar se o preso constituiu advogado. A reportagem não localizou a defesa dele.
O suspeito tem passagem por clubes de futebol e foi jogador de categorias de base, de acordo com a investigação. Para a polícia, essa experiência ajudava o suspeito a se aproximar dos atletas e a reproduzir a linguagem usada no ambiente do futebol.
Os outros três jogadores do Grêmio abordados pelo número não chegaram a fazer pagamentos. Um deles foi o zagueiro Kannemann. O falso técnico chegou a orientar o argentino a chegar mais cedo ao centro de treinamento para uma conversa.
Kannemann desconfiou da abordagem e procurou o verdadeiro treinador, descobrindo que a ordem não havia partido de Luís Castro.
O ex-jogador e dirigente colorado Andrés D’Alessandro também recebeu contato do suspeito, mas não chegou a ser vítima de prejuízo financeiro.
De acordo com a polícia, o número usado nas abordagens manteve ainda contato com outros jogadores vinculados a clubes brasileiros, um atleta de uma equipe europeia e um artista de grande popularidade nacional.
Procurada por e-mail na noite desta quarta-feira, a assessoria do Grêmio não respondeu até o fechamento desta reportagem.
Segundo a investigação, o falso treinador conversou com o atacante colombiano José Enamorado durante vários dias antes de fazer qualquer pedido financeiro. Falava sobre rotina, família e desempenho nos treinamentos, elogiava sua dedicação e pediu que o contato fosse mantido em sigilo.
A estratégia, segundo os investigadores, era criar uma relação de confiança e evitar que o jogador comentasse as conversas com outros atletas.
Em 6 de maio, enviou uma chave Pix que, segundo ele, pertencia a uma responsável pela instituição e orientou o atleta a fazer o pagamento. A primeira tentativa foi barrada pelo limite diário da conta.
O golpista então pediu que a transferência fosse feita na manhã seguinte.
No dia seguinte, Enamorado realizou o Pix. Depois, recebeu uma suposta confirmação de que as cestas haviam sido entregues à instituição. Segundo a polícia, porém, o dinheiro foi direcionado a uma conta controlada pela organização criminosa.
A segunda transferência não foi realizada porque o valor também ultrapassava o limite bancário do jogador. Para reforçar a história, o suspeito teria mencionado a participação de outros atletas do time.
A Polícia Civil informou que o suspeito já havia sido preso em flagrante em 2024 por um crime semelhante, de acordo com as informações compartilhadas entre as polícias.
A polícia também identificou uma estrutura em Itaperuna usada para movimentar os valores obtidos nas fraudes. Segundo os investigadores, o dinheiro passava inicialmente por contas de moradores do município antes de chegar aos integrantes da organização criminosa.
Em números
- Suspeito de se passar por Luís Castro é preso no Rio após aplicar golpe de R$ 22 mil em jogador do Grêmio
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