SAF no Santos: sócios de empresa explicam interesse no clube e planejam conversa com Neymar
Os sócios da SDC Sports, também chamada de Saint-Dominique Capital, dos Estados Unidos, falaram publicamente pela primeira vez sobre a conclusão da diligência de cinco meses no Santos, realizada com o intuito de investigar as finanças do clube e ofertar a compra de suas ações. A diretoria aguarda a proposta vinculante do grupo para tentar avançar na venda de sua SAF.
À Revista Pipeline, do Valor Econômico, Michael Lipman, Jesse Fioranelli e Diego Garcia, os três que estão à frente do projeto, falaram sobre o interesse e os planos para o clube e também sobre Neymar, que é ainda jogador do Santos - com contrato até 31 de dezembro.
– Se fizermos isso da maneira certa, acreditamos que existe uma forma real de apoiar o Santos no longo prazo, e não apenas neste momento – disse Fioranelli, que é diretor de futebol na SDC.
Fioranelli foi executivo em clubes como Lazio, Roma e Milan, na Itália. Segundo ele, os sócios ainda não conversaram com Neymar e seu pai.
Já Lipman, que é sócio-diretor da empresa, e carrega na bagagem operações na NFL e na UEFA Euro, tentou assegurar que o Santos não foi escolhido à toa.
– É um dos clubes mais tradicionais do mundo do futebol, o clube que deu Pelé ao esporte e que, mais tarde, moldou o início das carreiras de jogadores como Neymar e Rodrygo. Poucas academias em qualquer lugar do mundo produziram um impacto tão consistente no esporte. Essa história, combinada com a marca, a tradição da base e a torcida, dá ao Santos a base necessária para voltar a competir no mais alto nível, desde que haja a estrutura adequada por trás disso. Não começamos com o objetivo de comprar um clube. Partimos da busca por uma instituição na qual capital paciente pudesse fazer uma diferença geracional, e o Santos foi a resposta mais clara a essa pergunta.
– Avaliamos amplamente oportunidades no Brasil e no exterior antes de chegar ao Santos. O que o diferenciou foi a combinação de história, uma academia que liderou o futebol brasileiro por gerações e uma torcida tão grande que é relevante não apenas comercialmente, mas também culturalmente, no Brasil e internacionalmente. Pouquíssimos clubes no mundo têm as três coisas – disse Lipman.
O grupo iniciou uma diligência no clube no início de março para avaliar se todos os documentos e informações que recebeu previamente sobre a situação financeira eram verdadeiros.
🔍 Uma proposta vinculante significa que a pessoa ou empresa que oferece algo assume um compromisso mais firme, e a outra parte pode confiar naqueles termos. Esse tipo de proposta costuma trazer elementos mais definidos, como preço, prazo, objeto do acordo e possíveis condições, justamente porque a intenção é demonstrar seriedade e compromisso.
A diligência foi concluída há algumas semanas. O clube também fez uma investigação inicial sobre a empresa para entender se há, de fato, capacidade para um investimento de grande porte.
🔍 Uma proposta não vinculante é mais uma manifestação inicial de interesse, sem criar obrigação definitiva entre as partes. Ela serve para abrir uma conversa, apresentar uma ideia de negócio ou testar possibilidades antes de um contrato formal.
Para aceitar uma eventual proposta vinculante, o Santos vai precisar passar ainda por algumas etapas: a primeira é concluir a reforma do estatuto para a venda majoritária das ações. O clube ainda não concluiu esse trâmite.
Depois, os sócios ainda precisarão votar em Assembleia Geral para ratificar ou não as alterações.
A resposta a essa pergunta não é simples, já que a SDC Sports nada mais é do que um braço do grupo Saint-Dominique Capital, sendo uma de seus fundadores Lauren Santo Domingo, casada com Andrés Santo Domingo, família milionária da Colômbia, com empresas em várias áreas.
Discreta em suas aparições, a família é dona do Grupo Valorem, que controla a TV Caracol, na Colômbia, detém ações na AB InBev e 10% do Washington Commanders, da NFL.
A família afirma não participar diretamente do processo. Em caso de venda para o fundo, a ideia é que a administração fique a cargo de profissionais de mercado. Não haveria figurões, como por exemplo John Textor no Botafogo ou Pedrinho no Cruzeiro.
Garcia, que aparece como um dos fundadores da Saint-Dominique Capital, que controla a SDC Sports, explicou que a família Santo Domingo não fará parte da administração do Santos.
— Queremos deixar claro que o Santo Domingo Group, incluindo a Quadrant Capital Advisors e a Valorem, não é investidor nem tem qualquer vínculo com a St. Dominique Capital ou a SDC Sports. Lauren Santo Domingo, em sua capacidade pessoal e não como representante de qualquer entidade do Santo Domingo Group, é cofundadora da St. Dominique Capital, controladora da SDC Sports.
A proposta prevê, em contrato, vetos importantes para a manutenção da história do Santos, como a impossibilidade de mudança de nome, hino oficial, cores básicas do uniforme e localização.
Os colombianos devem vir nos próximos meses ao Brasil para conhecer a estrutura alvinegra.
Fontes
Informação baseada em material público de ge.globo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.