Os peritos médicos que analisaram a morte de Diego Maradona tinham um "viés de confirmação" e buscavam "o que lhes convinha", afirmou nesta quinta-feira (3) o neurocirurgião Leopoldo Luque.
Ele é o principal réu no julgamento na Argentina pela morte do craque, em 2020.
Com seu depoimento, Luque tentou refutar um dos fundamentos médicos da acusação: a conclusão de que a equipe médica de Maradona deveria ter percebido a grave deterioração de sua saúde.
Está muito claro o que aconteceu: eles têm a autópsia, o histórico médico e um diagnóstico já estabelecido. Dizem: ‘Bem, vamos procurar onde aparece o que já está assinalado’.
Isso é um viés de confirmação: buscaram o que lhes convinha", afirmou Luque perante o tribunal em San Isidro, ao norte de Buenos Aires.
As conclusões da junta médica que examinou o caso constituíram um dos elementos que embasaram o envio a julgamento dos sete profissionais que atenderam o astro argentino.
A junta médica que examinou o caso concluiu posteriormente que Maradona tinha problemas cardíacos, hepáticos e renais.
Mas Luque rejeitou essa interpretação. "O paciente descrito pelos peritos da junta não é o que tínhamos diante de nós quando ele estava vivo", disse. "Nunca foi detectada insuficiência cardíaca, hepática ou renal, porque os exames apresentavam resultados normais e o paciente não relatava nada.
Os peritos que justificaram suas conclusões perante o tribunal "recorriam o tempo todo à autópsia", enfatizou Luque.
Maradona morreu de parada cardiorrespiratória e edema pulmonar em 25 de novembro de 2020, durante uma internação domiciliar cuja pertinência, condições e assistência estão no centro deste julgamento.
Ele havia passado por uma neurocirurgia no início daquele mês.
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