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Kleiton, Kledir e Vitor Ramil se afinam, em trio, no belo relicário de emoções e tradições afetivas do show

Data e local: 22 de agosto de 2026 na casa Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ).

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Kleiton, Kledir e Vitor Ramil se afinam, em trio, no belo relicário de emoções e tradições afetivas do show

Título: Kleiton, Kledir & Vitor Ramil.

Data e local: 22 de agosto de 2026 na casa Vivo Rio (Rio de Janeiro, RJ).

Pais, filhos, tios e sobrinhos já se reuniram no palco no show “Casa Ramil” (2018), estreado há oito anos. Contudo, o show “Kleiton, Kledir & Vitor Ramil” tem o próprio poder de sedução por juntar no mesmo palco somente os três irmãos mais famosos.

Como dupla, Kleiton & Kledir ganharam projeção a partir de 1979 e, durante a primeira metade da década de 1980, os irmãos se tornaram os popstars da família, fazendo um som pop nutrido de referências da música gaúcha, mas sem qualquer ranço folclórico, o que seduziu o público de todo o Brasil e até cantoras da MPB como Simone.

Longe demais das capitais e das exigências do mercado, Vitor – o irmão caçula – pavimentou trajetória quase marginal, sendo cultuado em nichos da MPB pela criação de um universo particular que gira em torno da fictícia Satolep – anagrama de Pelotas (RS), berço da família – com um mais cool, poético, situado dentro da estética do frio, com direito a milongas, ou melhor, ramilongas.

O charme e sedução do show “Kleiton, Kledir & Vitor Ramil” residem na interação entre o som mais extrovertido da dupla Kleiton & Kledir e a música mais interiorizada de Vitor Ramil.

Todos cantam juntos o tempo todo, ainda em que determinados números, o solo seja de um ou de outro, caso de “Joquim”, quase um solo de Vitor, autor dessa versão em português de “Joey” (1976), caudalosa composição de Bob Dylan e Jacques Levy (1935 – 2004) lançada pelo bardo norte-americano no álbum “Desire” (1976).

Cantar a saga trágica de “Joquim” no bis – com Kleiton e Kledir fazendo coro com Vitor no refrão – foi número corajoso em que os irmãos encararam a plateia de frente antes de darem ao público o que ele queria, “Deu pra ti” (Kledir Ramil e Kleiton Ramil, 1981),hit da dupla Kleiton & Kledir que espanta qualquer baixo astral e soa infalível no arremate de shows.

Ainda assim, parte do público saiu frustrada da casa Vivo Rio porque o show acabou sem que “Maria Fumaça” (Kledir Ramil e Kleiton Ramil, 1979), primeira música da dupla, fosse reposta nos trilhos com o apito que atiça a nostalgia dos seguidores de Kleiton & Kledir.

Não, a dupla não teve a preocupação de apresentar um completo greatest hits. “Tô que tô” (Kleiton Ramil e Kledir Ramil, 1982), por exemplo, foi música ignorada.

Ainda assim, com sucessos como “Fonte da saudade” (Kledir Ramil, 1980) e “Nem pensar” (Kleiton Ramil e Kledir Ramil, 1983), o conciso e coeso roteiro do show “Kleiton, Kledir & Vitor Ramil” compilou, ao longo 17 músicas, o suprassumo do cancioneiro dos irmãos com arranjos em que as vozes harmonizaram com as cordas dos violões, das guitarras e do violino, este tocado por Kleiton em alguns números, como em “Grama verde” (André Gomes e Vitor Ramil, 1986) e como no tema instrumental “Couvert artístico” (Kleiton Ramil, 1981), alocado na abertura do roteiro, como manda a tradição dos shows da dupla Kleiton & Kledir.

Como Kledir e Vitor tiraram sarro um do outro ao longo da apresentação, arrancando risos da plateia, Kleiton pareceu mais discreto em cena, mas nunca apagado, e quando ele puxou o canto de “Vira virou” (1980), tema de lavra própria com ares portugueses, o show teve um momento de ápice.

Como dito, a interação entre os mundos diferentes dos irmãos sobressaiu em cena como a matéria-prima que justifica a reunião do trio no palco. Foi bonito ver Vitor harmonizar a voz com o canto dos irmãos em “Canção da meia-noite” (Zé Flávio, 1975), música do grupo Almôndegas, integrado por Kleiton & Kledir antes de formar dupla, quando Vitor ainda era guri adolescente.

Da mesma forma, foi bonito ver Kleiton & Kledir aceitarem o convite de Vitor para sair pelo mundo na delirante poética de “Loucos de cara” (1987), uma das maiores – em todos os sentidos – composições de Vitor, lançada pelo autor no álbum “Tango” (1987) e abordada dois anos depois, de forma primorosa, pela cantora gaúcha Lúcia Helena em álbum de 1989, em gravação épica feita com Kleiton.

Duas músicas, “Roda de chimarrão” (Kleiton Ramil e Kledir Ramil, 1984) e “Deixando o pago” (Vitor Ramil sobre poema de João da Cunha Vargas, 1997), uniram os irmãos em torno de afetivas memórias familiares típicas de clãs gaúchos, com fotos da família Ramil expostas no telão.

Aliás, as projeções de imagens embelezaram o show e emolduraram o cenário, em sintonia com a luz de Marcelo Linhares.

Como muitos garotos, Kleiton e Kledir também amaram os Beatles e foram seguidos por Vitor, anos depois, nessa paixão alimentada no roteiro com a abordagem da canção “You've got to hide your love away” (John Lennon e Paul McCartney, 1965).

Enfim, em essência, o show “Kleiton, Kledir & Vitor Ramil” pode ser resumido como relicário de paixões, lembranças, emoções e tradições afetivas de três irmãos que se afinam entre as diferenças.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Pop & Arte, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Pop & Artelink

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