Uma encomenda personalizada abriu caminho para um negócio que uniu moda, agronegócio e empreendedorismo. Em Goiânia, mãe e filha transformaram símbolos do campo em uma marca especializada de semijoias voltadas ao público agro.
As sócias Cecília Castro e Helena Castro já tinham experiência no setor. A família atua há mais de duas décadas no mercado de joias por meio de outra marca fundada pela sogra de Cecília.
A virada aconteceu quando uma cliente perguntou se ela desenvolveria uma peça ligada ao universo agropecuário. A sugestão chamou atenção para uma oportunidade ainda pouco explorada.
Ela perguntou: por que você não faz alguma peça voltada para as mulheres do agro?", relembra Cecília. A partir dali, surgiu a ideia de criar acessórios inspirados na vida no campo para um público que desejava manter a conexão com suas origens e estilo de vida.
As primeiras peças foram um broto, um chapéu e um colar com pequenas botas, símbolos que dialogavam tanto com a agricultura quanto com a pecuária. A aceitação foi rápida.
Foi uma tiragem de 300 peças. Em mais ou menos 20 dias não tinha mais nada", afirma a empresária.
O negócio começou no comércio eletrônico. Segundo as sócias, as vendas online mostraram que havia consumidores em várias cidades do país interessados em produtos que representassem a identidade do agronegócio.
A gente começou com e-commerce e começou a ver o potencial de crescimento, porque escalava muito", conta Cecília.
Com o avanço das vendas, Helena entrou formalmente na operação para ajudar a estruturar a expansão da empresa e fortalecer a presença da marca no mercado.
O interesse dos consumidores trouxe uma surpresa. Frequentemente, clientes perguntavam se a marca já trabalhava com franquias.
A demanda motivou a criação de um modelo de expansão. Antes disso, mãe e filha abriram um quiosque em um shopping de Goiânia para testar a operação e validar o formato do negócio.
Pouco depois, a empresa iniciou a expansão por franquias.
Atualmente, a rede soma mais de 17 unidades entre lojas e quiosques. Além de operações em estados como Goiás, Mato Grosso, Pará, Bahia, São Paulo, Paraná e Minas Gerais, a empresa já possui uma unidade na Colômbia.
Agora, as empresárias trabalham para ampliar ainda mais a presença internacional.
Estamos terminando o processo de nos tornar uma franqueadora nos Estados Unidos", afirma Cecília.
As peças são fabricadas na estrutura industrial que a família já utilizava anteriormente. Hoje, a operação emprega cerca de 60 funcionários.
Segundo as empreendedoras, a empresa produz aproximadamente 10 mil peças por mês para abastecer o comércio eletrônico, as lojas próprias e as franquias.
Apesar disso, a capacidade instalada é muito superior.
Com a estrutura que a gente tem hoje", afirma Cecília, a produção pode chegar a 60 mil peças mensais.
Para Helena, o principal diferencial da marca foi identificar uma oportunidade em um segmento ainda pouco atendido pelo mercado.
Eu acho que é explorar um nicho que ninguém nunca explorou, mas com algo com requinte e sofisticação", diz.
Segundo ela, a proposta foi fugir dos estereótipos e desenvolver peças mais delicadas.
Nossas peças são muito delicadas e minimalistas.
O modelo de franquias também atraiu empreendedores ligados ao próprio agronegócio.
Uma das unidades está em Itumbiara (GO) e pertence a Ana Laura Valeriano, filha de produtor rural e ex-competidora de provas de três tambores. Para entrar no negócio, ela vendeu uma égua usada nas competições.
O investimento veio da venda da minha égua que eu corria os três tambores", conta.
Além da loja física, Ana Laura comercializa produtos em leilões, provas esportivas e eventos ligados ao agronegócio. Segundo ela, algumas dessas ações resultam na venda de cerca de 200 peças por evento.
Questionada se valeu a pena vender o animal para abrir a franquia, a resposta foi direta.
Dá mais. Eu vou investir mais um pouquinho.
Para as fundadoras, a trajetória da marca mostra como a força econômica e cultural do agronegócio pode se transformar em oportunidades além da porteira.
Empreender com agro é transformar tradição em oportunidade", resume Cecília.
Em números
- Segundo as empreendedoras, a empresa produz aproximadamente 10 mil peças por mês para abastecer o comércio eletrônic
- Com a estrutura que a gente tem hoje", afirma Cecília, a produção pode chegar a 60 mil peças mensais
- Moda boiadeira: como mãe e filha faturam mais de R$ 60 mil por mês com tendência country
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Empreendedorismo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.