De um lado, Amorim argumentou que as ações dos EUA contra o Brasil, como o recente tarifaço, têm motivação política. Segundo ele, a Casa Branca sob Donald Trump tenta subordinar a América Latina aos interesses do país norte-americano.
O embaixador citou vídeo publicado pela diplomacia estadunidense, na terça-feira (11), em que afirma que a dominação dos EUA sobre a América Latina não deve ser questionada.
De outro lado, parlamentares da oposição tentaram responsabilizar o governo do Brasil pelas ações do governo Trump, como sustentou o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP).
O Brics é um grupo político e econômico formado por grandes países emergentes. Entre eles, Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Os membros do Brics costumam negar ser um grupo anti-ocidental, citando inclusive a participação da Índia, país historicamente próximo dos EUA.
O deputado Luiz Philippe ainda pediu que o governo brasileiro “destrave” a concessão do visto diplomático ao indicado pela Casa Branca para ser embaixador no Brasil, de Daniel Pérez.
A demora levou os EUA a cancelar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
Já o deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS) sustentou que houve uma “agressão à soberania dos EUA” por parte do Brasil devido, entre outros motivos, ao bloqueio de contas de empresas estadunidenses no caso do processo envolvendo a rede social X, que se negou a cumprir decisões judiciais do Brasil.
O assessor especial da presidência da República Celso Amorim rebateu a tese de que os atritos com a Casa Branca teriam razões ideológicas. Segundo o embaixador, o Brasil está aberto a negociar com qualquer governo, independente das posições políticas.
O embaixador brasileiro acrescentou que o governo federal decidiu não conceder vistos diplomáticos a representantes estrangeiros, de qualquer país, até as eleições de outubro.
Ele classificou como "bizarra" a divulgação do indicado para embaixador dos EUA no Brasil antes do Itamaraty aceitar o pedido, o que contraria os tratados internacionais.
Para o governo brasileiro, existe uma tentativa de Donald Trump de interferir nas eleições brasileiras.
O embaixador Celso Amorim foi convidado à Comissão de Relações Exteriores da Câmara para comentar, entre outros assuntos, a decisão dos EUA de classificar as facções criminosas do Brasil como organizações terroristas.
O assessor presidencial explicou que a medida não pode ser descontextualizada das ações recentes da Casa Branca e do momento que o mundo vive. Para o Planalto, a decisão pode ser usada como pretexto para intervenções externas no Brasil, inclusive militares.
Para Amorim, a classificação pode ser manipulada geopoliticamente para interferir nos assuntos internos do Brasil e, por isso, o governo brasileiro tem se posicionado contra essa designação por parte da Casa Branca.
Amorim de referiu aos ataques dos EUA contra lanchas e embarcações alegando, sem provas, tratar-se de tráfico internacional de drogas.
Pelo outro lado, a oposição defendeu a posição norte-americana sobre as facções no Brasil e criticou o governo por se opor à decisão do governo Trump, como sustentou o deputado General Girão (PL-RN).
Amorim rebateu que soberania é o próprio Brasil combater o problema. “Não é chamar ou permitir que venha um russo, americano ou um chinês fazer isso”, respondeu.
Amorim ainda lembrou que a designação das facções como terroristas pode trazer prejuízos econômicos para o país, e que é “total” o desejo do governo de combater o crime organizado.
Fontes
Informação baseada em material público de Agência Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.