O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem buscado ampliar o diálogo com outros países e mostrar que o Brasil não está isolado no cenário global.
Nos últimos meses, o presidente Lula tem telefonado para diferentes chefes de Estado, como Xi Jinping, da China, e Vladimir Putin, da Rússia.
Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, novas conversas com presidentes podem ocorrer nas próximas semanas. Desde julho, outros líderes também buscaram Lula para tratar de temas bilaterais.
Veja com quais chefes de Estado Lula conversou nos últimos dias.
5 de agosto: Gustavo Petro, presidente da Colômbia 4 de agosto: Vladimir Putin, presidente da Rússia27 de julho: Xi Jinping, presidente da China30 de julho: Santiago Peña, presidente do Paraguai.
Lula também tem sinalizado o interesse de conversar por telefone com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump, em meio aos recentes atritos entre Brasil e Estados Unidos.
Além do novo tarifaço, a crise se agravou com a mudança no status do visto da embaixadora brasileira nos EUA. (veja mais abaixo).
Em meio à crise com os EUA, Lula critica Marco Rubio: ‘É um anti-latino-americano’.
As recentes crises colocaram sob pressão a estratégia diplomática adotada pelo presidente em diferentes mandatos.
Ao mesmo tempo, os atritos com governos como os de Estados Unidos e Argentina abriram espaço para críticas de adversários, que passaram a questionar os resultados e os rumos da diplomacia brasileira.
Esses embates também têm como pano de fundo as eleições brasileiras e o apoio de Trump e do presidente da Argentina Javier Milei ao senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A proximidade de governos estrangeiros com setores da oposição passou a ser explorada no debate político.
Milei tem histórico de críticas a Lula.
A especialista Carolina Pavese destaca que esses conflitos internacionais contribuem para polarização da política doméstica.
Mesmo diante dos conflitos, integrantes do Planalto e do Itamaraty afirmam que a política externa busca manter canais de diálogo abertos, além de ampliar o protagonismo do Brasil em assuntos de interesse global.
Em setembro, pautas como mudanças climáticas e defesa do multilateralismo devem ganhar destaque na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
O presidente Lula deve participar do encontro.
Tradicionalmente, o chefe de Estado brasileiro é o primeiro a discursar na abertura da Assembleia, espaço em que costuma apresentar as prioridades da política externa do país e as preocupações com questões mundiais.
Com os Estados Unidos, a crise também se agravou nos últimos meses. Além do aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, o governo de Donald Trump revogou nesta semana o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Governo Trump anuncia ter revogado visto da embaixadora do Brasil nos EUA.
A medida foi apresentada pelos americanos como uma resposta à demora do Brasil em conceder o agrément – autorização do país anfitrião para a nomeação de um embaixador – ao indicado de Trump para a embaixada dos EUA em Brasília, Daniel Perez.
O episódio ampliou o desgaste na relação entre os dois países.
EUA cancelam visto de embaixadora brasileira: entenda a crise.
Carolina Pavese também destacou que, nos dois primeiros mandatos de Lula, os canais de diálogo eram mais abertos apesar das diferenças político-ideológicas.
A relação com a Argentina passou por uma nova crise nas últimas semanas. Após uma série de declarações de Javier Milei contra Lula, o governo brasileiro decidiu rebaixar o nível de relações diplomáticas com o país.
O governo brasileiro vai manter o embaixador brasileiro em Buenos Aires no Brasil enquanto Milei mantiver ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a outras autoridades brasileiras.
Relembre os ataques de Milei a Lula e a escalada da crise diplomática.
Desde então, a representação diplomática do Brasil no país é chefiada por um encarregado de negócios. O episódio aprofundou o distanciamento que já vinha marcando a relação entre os dois governos.
Em meio à crise, Milei também criticou a política externa brasileira e acusou o país de estar se isolando do mundo.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Política, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.