## Para os deputados desses partidos, apoiar o candidato do PL pode significar fortalecer, na própria região, candidatos que disputarão suas vagas na Casa Baixa.
A decisão de partidos que compõem o Centrão de não apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno da eleição presidencial tem uma explicação que vai além da busca por autonomia nas alianças estaduais.
Para o cientista político Emerson Cervi, professor da UFPR (Universidade Federal do Paraná), os partidos de centro também veem na disputa uma oportunidade de recuperar espaço perdido para candidatos ligados ao bolsonarismo nas últimas eleições.
Cervi afirma que as eleições de 2018 e 2022 foram marcadas por taxas elevadas de renovação da Câmara dos Deputados. Segundo ele, parte dos deputados que perderam espaço foi substituída por candidatos mais próximos do discurso e pauta bolsonarista, muitos deles com forte presença nas redes sociais.
Para Cervi, o Centrão agora tem a possibilidade de reagir a esse movimento. “O Centrão tem agora uma oportunidade de equilibrar o jogo”, disse. A estratégia ajuda a explicar a resistência de partidos de centro a uma aliança nacional com Flávio.
A avaliação ajuda a explicar por que as direções nacionais dos partidos podem optar pela neutralidade na eleição presidencial no 1º turno, enquanto os diretórios estaduais formam alianças diferentes.
Segundo Cervi, os deputados do Centrão precisam preservar suas próprias bases eleitorais. Se a direção nacional decidir apoiar Flávio, parte dos candidatos pode não seguir a orientação porque terá interesses diferentes regionalmente.
A lógica vale principalmente para o 1º turno, quando os deputados ainda estão com os esforços voltados para a própria eleição. Depois que os candidatos forem eleitos ou derrotados, as direções nacionais ganham mais liberdade para escolher um candidato à Presidência.
O movimento também foi favorecido pela concentração de candidatos identificados com a direita bolsonarista no PL. O partido elegeu 99 deputados em 2022 e terminou a eleição como a maior bancada da Câmara.
A expansão do PL aumentou a competição dentro do campo da direita. Para os partidos tradicionais de centro, segundo Cervi, o crescimento de candidatos associados ao bolsonarismo representou uma ameaça direta às bases eleitorais de deputados que já tinham mandato.
Nem todos os deputados do PL, porém, são identificados com a extrema direita, e nem todos os integrantes dos partidos do Centrão têm perfil de centro. Cervi ressalta que há influenciadores e candidatos ligados ao bolsonarismo em diferentes siglas.
O movimento de 2026, portanto, não representa uma divisão simples entre direita e centro. Ou seja, também há uma disputa por espaço entre diferentes grupos que competem pelo mesmo eleitorado.
As dificuldades de Flávio Bolsonaro.
Na avaliação de Cervi, a ausência de uma aliança ampla com o Centrão dificulta a expansão da candidatura de Flávio, mas não ameaça seu núcleo eleitoral.
O professor estima que o candidato tenha uma taxa de 20% a 25% do eleitorado, formado por bolsonaristas, antipetistas ou eleitores que reúnem as duas características.
O problema, segundo ele, está no teto. Flávio precisaria ampliar a votação para segmentos do eleitorado que não fazem parte do núcleo mais fiel ao bolsonarismo.
A neutralidade do Centrão dificulta esse movimento porque reduz o número de candidatos a deputado dispostos a apresentar Flávio a eleitores que não fazem parte de sua base tradicional.
Para Cervi, o principal risco eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é justamente Flávio conseguir avançar sobre o eleitorado de centro e independente.
A disputa presidencial, assim, se conecta à eleição para a Câmara dos Deputados. Enquanto Flávio busca ampliar seu eleitorado, os partidos do Centrão tentam preservar ou recuperar espaço no Legislativo.
Dessa forma, a neutralidade no 1º turno permite que as duas estratégias avancem simultaneamente.
Fontes
Informação baseada em material público de Poder360, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.