Ato de Lula mira Congresso e afaga mulheres e evangélicos
Discurso teve tom moderado e lançamento abordou temas que ainda são desafios para a campanha, como segurança.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu neste domingo (16.ago. 2026) a campanha à reeleição em um ato carregado de simbolismo e recados. O evento, no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo (SP), combinou saudosismo com acenos a mulheres e evangélicos, além da promessa de eleger uma bancada maior no Congresso.
Diferentemente da convenção do PT, quando discursou por 62 minutos, Lula falou por 36 minutos neste domingo (16.ago). A orientação do partido era tornar o discurso mais objetivo.
O presidente também dedicou parte da fala a temas que não havia explorado na convenção, como segurança pública. O assunto ainda é pouco abordado por ele na campanha.
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O petista afirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública, mas condicionou a medida diretamente ao Legislativo. O texto foi enviado à Comissão de Constituição e Justiça do Senado pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP) na véspera do ato.
A promessa fica condicionada, portanto, a Lula conseguir nas urnas uma base maior no Congresso.
Lula disse que a nova pasta serviria para “dividir responsabilidade com Estados e municípios” no combate a organizações criminosas que atuam em bairros pobres. Ele disse que quer prender “todo mundo que se acha dono de favela ou de bairro pobre”.
Lula disse que, em um eventual 4º mandato, quer resolver o que chamou de dilema da formação do povo brasileiro. Afirmou querer meninas e meninos “bem formados, bem estruturados”.
O petista disputará a Presidência pela 8ª vez e, se vencer, terá 81 anos ao assumir em 2027.
Antes de Lula falar, subiram ao palco ou foram citados nomes como a ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, as candidatas ao Senado Benedita da Silva (PT), Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), além da primeira-dama Janja da Silva.
O gesto é significativo em comparação com a convenção de 2 de agosto, quando o PT oficializou a candidatura de Lula. Naquele evento, não havia nenhuma mulher escalada para falar, e Janja discursou de improviso, convocada pelo próprio Lula depois de ele perceber a ausência feminina na programação.
Durante sua fala, Lula defendeu o respeito às mulheres, dizendo que homens “têm que respeitar mulheres, não como serviçais”.
Ao fim do discurso, Lula pediu votos para as senadoras Simone Tebet e Marina Silva, que disputam vagas ao Senado por São Paulo, e para Fernando Haddad (PT), candidato ao governo paulista.
Também pediu votos para os candidatos a deputado federal e estadual da coligação, na tentativa de formar maioria no Congresso para um eventual 4º mandato.
Antes de Lula, outros oradores já haviam batido na mesma tecla. Paula Corradi, presidente nacional do Psol, disse que o ato reúne o time que vai “eleger a maior bancada de esquerda desse país”, já que Lula “precisa dos nossos deputados, senadoras e deputados estaduais pra governar”.
Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo e ministro do Trabalho, chamou de “tarefa revolucionária” mudar o perfil do Congresso, que classificou como “uma tragédia”.
O ato teve ainda uma homenagem conduzida por Janja ao cantor e pastor Kleber Lucas, que cantou a música “Deus Cuida de Mim” para o presidente. Lula tem defasagem nas pesquisas entre o eleitorado evangélico.
Lula, Janja, Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Ana Estela e Lu Alckmin caminharam juntos, segurando a bandeira do Brasil. Depois, sentaram-se na ponta do palco, tomando sol.
A cantora Fafá de Belém cantou o hino nacional. Da plateia vieram os coros de sempre: “olê, olê, olê, Lula, Lula” e “Lula, guerreiro do povo brasileiro”.
O presidente resgatou a greve de 1979 —quando discursou em cima de uma mesa de bar, sem microfone nem palanque— e a greve de 1980, quando foi preso por 31 dias e a categoria teve mais de 15 mil demissões.
Lula também relembrou o processo que resultou em sua 1ª condenação, por uma frase dita no enterro do sindicalista rural Wilson Pinheiro, assassinado no Acre em 1980.
Chamou o episódio de “bobagem e mentira”.
Prestou homenagem a nomes como Florestan Fernandes, Sérgio Buarque de Holanda, Antônio Cândido, Marco Aurélio Garcia, Chico Mendes e Margarida Alves. Segundo ele, são nomes que ajudaram a formar o PT.
Em tom mais pessoal, criticou uma decisão do ex-ministro do STF Dias Toffoli, que o impediu de deixar a prisão para ir ao enterro do irmão, Vavá. Comparou o episódio a um gesto que um delegado da ditadura militar teve com ele décadas antes, ao liberá-lo para o velório da mãe, dona Lindu.
Também voltou a falar da mulher, Marisa Letícia, morta em 2017: “da mesma forma que Deus levou a Marisa, me trouxe você”, disse, em referência a Janja.
Fontes
Informação baseada em material público de Poder360, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.