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Educação Revisado por ULTRA AI

Vírgula virou 'coisa de IA'? O que explica a polêmica sobre a pontuação nas redes

Debate nas redes associou a pontuação ao ChatGPT, mas especialista diz que explicação está na gramática e nas mudanças provocadas pela comunicação digital.

3 min de leitura
Vírgula virou 'coisa de IA'? O que explica a polêmica sobre a pontuação nas redes

Depois da polêmica do travessão, que indicaria uso de ChatGPT, agora a vírgula, um dos sinais de pontuação mais utilizados na comunicação escrita, está sob “investigação” de internautas por ser “coisa de IA”.

A polêmica viralizou após uma usuária do X narrar que passou a notar um aumento no uso da vírgula para isolar vocativos (quando chamamos ou falamos com uma pessoa).

Exemplos: Oi, Vanessa / Bom dia, professora / Obrigada, João.

“A vírgula depois do ‘oi’ me incomodava muito e não entendia por que, do nada, todo mundo começou a escrever assim. Até que caiu a ficha: o ChatGPT escreve assim”, dizia a publicação, que foi excluída posteriormente.

A internauta explicou que o estranhamento surgiu porque notou o uso da pontuação em contextos nos quais, antes, a regra era ignorada.

alguns reforçaram a observação da usuária e disseram também ter observado mudanças em comunicações escritas, especialmente no ambiente corporativo, e têm o mesmo “suspeito”; outros questionaram a conclusão de que o uso da norma padrão indicava o uso de inteligência artificial na construção da frase.

indicar tempo ou lugar no início da frase: Ontem, Pedro me mandou mensagem.listar itens que têm a mesma função: Gosto das flores verdes, azuis, vermelhas e brancas. introduzir como aposto (que explica um termo anterior): Carlos, meu amigo, foi à festa.anteceder conjunções de oposição: Queria ir à praia, mas estava chovendo.

Mas, nesta reportagem, trataremos da função de isolar o vocativo, que pode ser observado na frase: Letícia, não corra dentro de casa.

Silvia Maria Brandão, especialista em Soluções Educacionais da Arco Educação e doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela UNESP, explica que o vocativo sinaliza uma interlocução direta. Ou seja, indica com quem estamos falando.

Na comunicação oral, essa função é marcada pela entonação. Na escrita, a vírgula cumpre a tarefa de indicar como a frase deve ser lida e compreendida.

Quando meu pai morreu, a dor que o pungiu foi enorme, disseram-me; não me lembra. Minha mãe ficou-lhe muito grata, e não consentiu que ele deixasse o quarto da chácara; ao sétimo dia, depois da missa, ele foi despedir-se dela.– Fique, José Dias.– Obedeço, minha senhora.

O trecho indica uma interação entre a mãe do narrador e um agregado da família e destaca uma interlocução direta entre os dois personagens.

A redução do uso da vírgula na comunicação escrita moderna foi uma das mudanças acarretadas pela era digital, caracterizada por uma preferência por abreviações e gírias — e que dispensa o uso de pontuação e acentuação sempre que possível.

Para ela, a vírgula do vocativo não só foi “esquecida no churrasco”, mas sequer é percebida ou compreendida.

Por este motivo, não é incomum que o aparecimento da vírgula no vocativo cause estranhamento — mesmo que não indique, necessariamente, o uso de inteligência artificial.

No entanto, não é sempre que isso acontece.

“Em alguns casos, não separar o vocativo com vírgula gera ambiguidades que só aquele sinalzinho poderia eliminar: ‘'É preciso de regime, militar / É preciso de regime militar.’ Nesse exemplo, sem a vírgula, a oração ganha outro sentido, bastante diferente", detalha.

Silvia Brandão conclui que as gramáticas normativas servem justamente para evitar ocorrências como essa e reforça que o uso da pontuação correta na comunicação é fundamental, mesmo que mantida somente na comunicação formal.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Educação, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Educaçãolink

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