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Educação Revisado por ULTRA AI

Golpe dos diplomas no Paraguai usava intermediários em vários estados do Brasil para promover cursos

Instituição sem registro usava documentos falsos para comprovar a legalidade dos cursos. Brasileiro é apontado como o dono e está em prisão domiciliar.

4 min de leitura
Golpe dos diplomas no Paraguai usava intermediários em vários estados do Brasil para promover cursos

Faculdade do Paraguai é acusada de emitir diplomas falsos de mestrado e doutorado.

Uma suposta oportunidade de conquistar títulos de mestrado e doutorado por valores acessíveis atraiu centenas de brasileiros para um esquema que agora é investigado pelas autoridades do Paraguai e do Brasil.

A Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FIX), divulgada como instituição apta a oferecer cursos de pós-graduação, não possuía registro no órgão responsável pelo ensino superior paraguaio, segundo investigações de autoridades dos dois países.

O esquema era promovido no Brasil por intermediários que anunciavam cursos de mestrado e doutorado em áreas como educação, direito e saúde. Um deles era Radamese Lima, que se apresentava como professor e representante de uma assessoria acadêmica no Ceará.

Em conversas com interessados, ele garantia que os diplomas poderiam ser reconhecidos por universidades brasileiras e afirmava que já havia obtido mais de uma centena de validações.

Segundo a Polícia Federal, porém, o reconhecimento de parte desses diplomas teria ocorrido com base em documentação posteriormente considerada irregular. Após serem informadas de que a instituição não era regular no Paraguai, universidades brasileiras iniciaram processos para anular títulos concedidos a ex-alunos da FIX.

De acordo com o Ministério Público paraguaio, a FIX não possui registro no Conselho Nacional de Ensino Superior do Paraguai e, portanto, não existe legalmente como instituição habilitada para emitir os títulos anunciados.

Quando a equipe do Fantástico esteve na sede da organização, em Assunção, encontrou o imóvel vazio e com aviso de busca e apreensão realizado pelas autoridades.

As investigações apontam ainda que o empresário brasileiro Ismael Fenner, identificado como responsável pela FIX, utilizava o nome do ISICS, uma instituição de ensino reconhecida no Paraguai.

Os proprietários do ISICS denunciaram Fenner por uso indevido da marca e afirmam ser os únicos administradores legítimos da instituição.

O Ministério da Educação do Paraguai analisou documentos utilizados para sustentar a legalidade dos cursos e concluiu que havia irregularidades graves. Segundo autoridades paraguaias, carimbos, assinaturas e documentos apresentados eram falsos, o que inviabiliza a validade dos títulos emitidos pela FIX.

Relatos de alunos indicam que as aulas ocorriam de forma online, geralmente em português e com encontros semanais. Para atender às exigências de validação de títulos estrangeiros no Brasil, os estudantes eram orientados a realizar viagens ao Paraguai.

Segundo as investigações, muitos alunos fizeram apenas uma passagem pelo país durante todo o curso. Em uma operação realizada em um hotel de Assunção, promotores paraguaios ouviram estudantes brasileiros que participavam da apresentação de teses.

Eles relataram que aquela havia sido a única viagem realizada ao Paraguai desde o início dos estudos.

De acordo com o Ministério Público, cerca de 300 brasileiros estavam no local no momento da operação. As autoridades tratam os estudantes como vítimas do esquema.

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) cancelou 218 diplomas ligados à instituição paraguaia, alegando ter sido induzida a erro por documentos falsificados. Mesmo assim, a plataforma Carolina Bori, utilizada para consultas sobre revalidação de diplomas estrangeiros, ainda registrava mais de 800 títulos da FIX reconhecidos por outras instituições brasileiras.

Na Paraíba, investigadores apuram ainda possíveis impactos na carreira de servidores públicos que utilizaram os diplomas para obter progressão funcional e aumento de remuneração.

Segundo autoridades, poderá haver discussão sobre eventual ressarcimento de valores recebidos com base em títulos posteriormente considerados inválidos.

As autoridades paraguaias decretaram a prisão de Ismael Fenner, que está em prisão domiciliar na região metropolitana de Assunção. Ele também foi indiciado pela Polícia Federal brasileira no inquérito relacionado aos diplomas da FIX.

Em nota, Fenner afirmou ser alvo de perseguição de empresários do setor educacional e sustenta que trava uma disputa judicial pela propriedade do ISICS. Sua defesa reconheceu, no entanto, que atualmente os direitos sobre a instituição estão suspensos.

O Ministério da Educação informou que acompanha as investigações por meio da plataforma Carolina Bori e tem notificado universidades sobre os desdobramentos do caso, mas ressaltou que medidas administrativas dependem da conclusão dos processos que apuram as irregularidades.

As autoridades paraguaias afirmam que o caso também motivou um processo de modernização dos mecanismos de emissão e controle de diplomas no país, em meio às investigações sobre possíveis fraudes e participação de agentes públicos no esquema.

O Fantástico apurou que ao menos outras 13 faculdades estrangeiras prometem diplomas de pós-graduação para brasileiros de forma parecida com a da FICS. A maioria fica nos Estados Unidos.

Segundo o delegado Franco Perazzoni, os grupos envolvidos mudam de instituição conforme aumenta a fiscalização das autoridades. "A paixão dele é dinheiro", afirmou.

Para uma das vítimas, porém, o prejuízo vai muito além do dinheiro perdido. "A FICS, o Fenner, precisa ser responsabilizada pelas pessoas que eles destruíram a vida.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Educação, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Educaçãolink

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