Entre os alunos brasileiros de 15 anos (ou seja, que acabaram de cursar o ensino fundamental II), 7 em cada 10 não conseguem fazer contas simples de matemática, como.
- fazer uma multiplicação para converter moedas: dizer, por exemplo, quantos reais equivalem a 2 dólares, sabendo que 1 dólar = R$ 5,13.
- comparar as distâncias percorridas por um carro em dois caminhos diferentes.
- 📉 O que é Pisa? É uma avaliação internacional aplicada a cada 3 anos para avaliar os conhecimentos dos estudantes em matemática, leitura e ciências.
- Ou seja, a maior parte dos alunos que não atingem o nível básico não está perto de alcançá-lo: está no fundo da escala.
- Entre os oito países da região com dados na edição de 2025, nenhum chega perto da média da OCDE, de 465 pontos — o Uruguai, melhor colocado entre os vizinhos, tem 405 pontos, e o Brasil aparece com 377, à frente apenas de Argentina, Equador e Paraguai.
A análise faz parte do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes 2025 (Pisa, em inglês), cujos resultados foram divulgados nesta terça-feira (8), analisando dados de 91 países.
O Pisa mostrou que 72% dos alunos brasileiros ficaram abaixo do nível 2 em conhecimentos matemáticos — o patamar mínimo considerado satisfatório pela avaliação.
Na média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o índice de estudantes abaixo do nível 2 é bem menor: 35%.
O Pisa 2025 também trouxe, pela primeira vez, uma avaliação de resolução de problemas computacionais — a capacidade de aplicar lógica e conceitos de programação para resolver problemas, uma habilidade cada vez mais associada ao pensamento matemático.
A pontuação média dos estudantes brasileiros foi de 406 pontos, quase 100 pontos abaixo da média da OCDE, de 500 pontos. O país fica próximo de nações como Jordânia e Argentina, e atrás da maioria dos participantes da nova prova.
Quase metade dos alunos não chega nem à base da escala.
A escala do Pisa prevê uma subdivisão dentro da faixa abaixo do nível 2: o nível 1a, considerado desempenho baixo, e uma faixa abaixo dele, de desempenho muito baixo.
No Brasil, 44% dos estudantes estão nessa faixa mais baixa — abaixo até do nível 1a — e outros 28% ficam no nível 1a.
No topo da escala, o cenário se inverte: praticamente nenhum estudante brasileiro atinge os níveis 5 ou 6, os mais altos do Pisa. Na média da OCDE, 8% dos alunos alcançam esse patamar.
Um estudante nesse nível consegue modelar matematicamente situações complexas e comparar diferentes estratégias para resolver um mesmo problema. Entre os países com a maior proporção desses alunos estão China, Singapura, Taipé Chinês, Macau, Coreia do Sul, Japão e Hong Kong — todos com mais de 20% dos estudantes nesse grupo.
E por que o Brasil vai tão mal em matemática.
Para Ernesto Martins, pesquisador do centro de pesquisas Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), o baixo desempenho em matemática não é um problema exclusivamente brasileiro: é uma dificuldade compartilhada por todos os países da América do Sul.
No caso do Brasil, o especialista aponta que uma das razões para o baixo desempenho em matemática é a dificuldade na formação de professores.
Há uma necessidade de se ampliar o repertório matemático dos docentes. Temos cursos que muitas vezes atraem candidatos com formação básica mais frágil e que, durante a graduação, nem sempre conseguem compensar essas lacunas e preparar suficientemente o futuro professor para a prática de sala de aula", explica.
Para Martins, esse repertório insuficiente aparece dos dois lados da sala de aula: tanto na formação de quem ensina quanto na trajetória de quem aprende.
Quando a formação do professor não desenvolve suficientemente esse conhecimento, existe o risco de o ensino ficar mais centrado na reprodução de procedimentos e fórmulas do que na construção do raciocínio matemático", explica Ernesto Martins, pesquisador do Iede.
Do lado do aluno, o problema se acumula ano após ano. "Matemática tem uma progressão particularmente dependente das aprendizagens anteriores. Uma criança que não consolida sentido de número, operações, frações e proporcionalidade chega aos anos finais com lacunas que dificultam álgebra, geometria e resolução de problemas.
O professor dos anos finais passa então a ensinar conteúdos mais complexos para alunos que ainda não dominam conhecimentos fundamentais", diz.
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