Mas saberia responder por quanto tempo sua família manteria pelo menos 80% do custo de vida se algo tivesse acontecido com você ontem? Por quantos anos ainda precisa trabalhar para poder se aposentar.
Ou qual o valor deveria ter em previdência em cada ano para otimizar a sucessão.
Se o seu planejamento financeiro não consegue responder a perguntas como essas, talvez você tenha apenas uma carteira de investimentos, não um planejamento.
Investir é parte importante do processo, mas planejar significa transformar renda, despesas e patrimônio em respostas para decisões da vida. Há cinco que considero especialmente importantes.
A primeira é: se ontem algo tivesse acontecido com você hoje, por quanto tempo sua família conseguiria manter pelo menos 80% dos custos? Morte, invalidez ou uma doença podem interromper uma renda da qual a família depende.
Para responder, é preciso considerar patrimônio disponível, outras fontes de renda e tanto as despesas atuais quanto as futuras. Descobrir que sua família tem autonomia por seis meses ou por quinze anos muda completamente o montante que precisa ter em proteção.
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A segunda é: por quantos anos você ainda precisa trabalhar para manter seu padrão de vida na aposentadoria? Normalmente pensamos em uma idade, como 60 ou 65 anos.
Mas nem nos preocupamos se isso é viável.
Um planejamento deveria oferecer uma resposta mais útil, por exemplo: você precisa manter sua renda atual por mais sete anos. Para chegar a ela, é necessário projetar despesas, patrimônio, poupança, benefícios previdenciários e retorno esperado dos investimentos.
A terceira pergunta inverte uma ideia comum sobre planejamento: quanto você pode gastar hoje sem comprometer seu futuro? Algumas pessoas precisam poupar mais.
Outras já acumularam o suficiente, mas continuam adiando viagens, experiências e conforto por receio de faltar dinheiro. Planejamento não deveria servir apenas para dizer quanto você precisa poupar.
Também deveria dar segurança para aproveitar a vida quando você pode.
Mas você faria a mesma despesa se descobrisse que ela pode representar 10 a 15 anos adicionais de trabalho? O planejamento permite enxergar não apenas se você pode pagar por uma decisão, mas aquilo de que terá de abrir mão para a realizar.
A quinta é: quanto do seu patrimônio deveria estar em previdência privada para tornar sua sucessão mais eficiente? Para chegar a essa resposta, primeiro é preciso estimar quanto do patrimônio financeiro provavelmente não será consumido durante sua vida.
Como regra de bolso, sobre esse valor considero como referência sua idade. Aos 50 anos, 50%; aos 70, 70%. Quanto mais avançamos na vida, maior tende a ser a parcela que pode ser direcionada à sucessão.
Perceba que a conta não começa pela previdência. Começa pelo fluxo de caixa. É preciso projetar suas receitas, despesas e patrimônio ao longo da vida para descobrir quanto provavelmente sobrará.
Só então faz sentido decidir quanto direcionar a instrumentos sucessórios.
A previdência é um dos melhores instrumentos, pois os recursos acumulados durante a fase de diferimento são destinados aos beneficiários indicados e não entram na partilha do inventário, não possuem custo de sucessão e são mais rapidamente transmitidos.
E somente com um planejamento, você consegue estimar com maior segurança o valor ótimo.
Você pode até achar que sabe essas respostas, mas apenas com um planejamento robusto você terá segurança de afirmar. Ele mostra por quanto tempo sua família está protegida, quando o trabalho pode se tornar opcional, quanto você pode consumir, quais objetivos cabem no caminho e quanto do patrimônio provavelmente ficará para a próxima geração.
Nenhuma dessas perguntas é sobre qual investimento vai render mais no próximo ano. Talvez essa seja uma das maiores diferenças entre investir e planejar. Investir procura fazer o dinheiro crescer.
Planejar procura descobrir o que esse dinheiro pode e precisa fazer por você.
Michael Viriato é planejador patrimonial e sócio fundador da Casa do Investidor.
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Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.