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Economia Revisado por ULTRA AI

Uma via de mão dupla

Em um mundo de fluxos mais voláteis, a oportunidade do Brasil é transformar recursos externos em capacidade de financiar seu desenvolvimento

2 min de leitura
Economia — imagem padrão

O capital estrangeiro entrou com força no Brasil nos primeiros meses do ano. Depois perdeu fôlego e, agora, parte desses fluxos voltou a sair.

Não há contradição nisso, pois o Brasil ficou mais atraente numa nova geografia dos fluxos internacionais, que está sendo redesenhada num mundo estruturalmente mais volátil.

Por mais de uma década, investidores globais concentraram recursos nos Estados Unidos, por conta do seu crescimento forte, mercados profundos, tecnologia muito rentável e o dólar como moeda de reserva.

Algo mudou. Preços de ativos já muito elevados, a incerteza comercial e geopolítica e a busca por diversificação levaram investidores a olhar de novo para outros mercados, especialmente os emergentes.

E, para esses mercados menos profundos, pequenas realocações de carteiras gigantescas pesam muito.

O Brasil sentiu os efeitos dessa mudança, embora os diferentes tipos de fluxos contem histórias distintas.

O primeiro é o carry. Juros muito superiores aos das economias avançadas oferecem retornos atraentes e ajudam a financiar o balanço de pagamentos, mas são facilmente reversíveis.

A ironia é que parte dessa atratividade vem das fragilidades que nos obrigam a pagar juros tão altos. Ser atraente porque produzimos muito é diferente de ser atraente porque pagamos muito para compensar nossos riscos.

O segundo é a rotação internacional de portfólios. Depois de anos de concentração nos EUA, investidores buscam diversificação. O Brasil oferece escala, mercado financeiro líquido, reservas elevadas, câmbio flutuante, alimentos, energia e minerais, atributos relevantes num mundo preocupado com segurança energética e cadeias produtivas.

O terceiro é o investimento direto, que traz capital comprometido com empresas e ativos produtivos e tende a permanecer por mais tempo.

No mundo pós-2008, choques negativos de crescimento abriam espaço para os bancos centrais cortar juros e estabilizar os mercados. Hoje, choques de oferta podem combinar menor crescimento e mais inflação, restringindo essa reação.

A inflação ficou menos previsível, cadeias globais se fragmentaram e a política fiscal passou a pressionar os juros longos. A volatilidade deixa, assim, de ser apenas produto dos choques: nasce também da menor capacidade da política econômica de amortecê-los.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mercadolink

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