Se até pouco tempo atrás usar inteligência artificial durante a busca por emprego parecia uma vantagem competitiva, hoje ela já faz parte da rotina da maioria dos candidatos.
Uma pesquisa realizada pelo Indeed mostra que 83% das pessoas já utilizaram inteligência artificial em pelo menos uma etapa da busca por emprego. O uso mais frequente está na elaboração do currículo (49%), seguido pela busca de vagas compatíveis (40%) e pela preparação para entrevistas (38%).
Ao mesmo tempo, a popularização dessas ferramentas levanta uma nova questão: se praticamente todo mundo já usa IA, o que ainda diferencia um candidato durante um processo seletivo?
Para Fernanda Matosinhos, especialista da área de Gente e Cultura da XP Educação, a resposta está menos na ferramenta e mais na capacidade do profissional de utilizá-la para tomar decisões melhores.
Segundo ela, muitos candidatos continuam utilizando a IA apenas para revisar currículos ou escrever textos mais elaborados. Embora essas aplicações sejam úteis, elas representam apenas uma pequena parte do potencial da tecnologia.
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Para Fernanda, a vantagem competitiva deixou de estar em tarefas operacionais, como pedir para a ferramenta revisar um currículo.
Veja seis formas de utilizar a inteligência artificial de maneira mais estratégica.
Descrições de vagas costumam listar requisitos técnicos, mas nem sempre deixam claro quais problemas a empresa espera resolver com aquela contratação.
Ao analisar o texto da vaga, a IA consegue identificar padrões, competências implícitas e prioridades do negócio.
Esse exercício ajuda o candidato a adaptar seus exemplos durante a entrevista e direcionar melhor o currículo.
Expressões como “perfil analítico”, “protagonismo” ou “boa comunicação” aparecem em milhares de anúncios, mas cada empresa interpreta esses conceitos de forma diferente.
A IA pode traduzir essas competências em comportamentos observáveis e sugerir quais experiências profissionais fazem mais sentido para demonstrá-las.
Usar IA para simular entrevistas já se tornou relativamente comum. O erro, segundo Fernanda, é decorar exatamente aquilo que a ferramenta escreveu.
Em vez de pedir respostas, vale solicitar perguntas desafiadoras e treinar diferentes situações.
Em vez de apenas responder perguntas sobre experiências passadas, o candidato pode demonstrar como pretende gerar resultados caso seja contratado. A IA consegue estruturar um plano inicial considerando a descrição da vaga, o setor de atuação e informações públicas sobre a empresa.
Além de pesquisar produtos e serviços, a IA também pode reunir informações públicas sobre valores, estilo de liderança e prioridades da organização.
Sites institucionais, redes sociais, entrevistas de executivos e páginas de carreira ajudam a ferramenta a identificar padrões culturais.
A pesquisa do Indeed mostra que utilizar inteligência artificial já deixou de ser exceção entre candidatos brasileiros. À medida que a tecnologia se torna acessível, a vantagem competitiva migra da ferramenta para a forma como ela é utilizada.
Na avaliação de Fernanda, a IA tende a assumir um papel semelhante ao de outras tecnologias que se tornaram indispensáveis no mercado de trabalho: seu uso será esperado, mas isso, por si só, não diferenciará ninguém.
Uma das aplicações menos exploradas da IA é analisar o perfil dos candidatos que costumam disputar determinada posição.
Com base na vaga, no setor e no nível de senioridade, a ferramenta consegue indicar certificações relevantes, competências frequentemente exigidas e diferenciais valorizados naquele mercado. Essa análise ajuda o profissional a destacar aquilo que realmente o diferencia.
“Considerando esta vaga, quais características normalmente possuem os candidatos mais competitivos? Que diferenciais eu deveria destacar durante a entrevista?”
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Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.