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Economia Revisado por ULTRA AI

Superciclo dos ETFs: como o mercado saltou de R$ 50 bi para R$ 130 bi

Para Danilo Gabriel, gestor de fundos indexados da XP Asset, custo baixo, eficiência tributária e bons retornos tornam o ETF mais atraente do que boa parte dos

6 min de leitura
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Numa conversa com Clara Sodré, analista de fundos da XP, e Fabiano Cintra, head de análise de fundos da XP, Gabriel afirma que os ETFs são um produto escalável, com baixo custo, eficiência tributária e bons retornos.

O ano de 2026 registra marcos simbólicos. Pela primeira vez, os ETFs de renda fixa superaram os de renda variável em patrimônio sob gestão. Também agora, a indústria também atingiu 1% da alocação total do mercado de fundos brasileiro.

Entre os motivos para a disparada dos ETFs, o gestor da XP Asset cita o questionamento crescente sobre a gestão ativa e o fim dos fundos exclusivos fechados sem come-cotas – que direcionou capital para veículos tributariamente eficientes – e o ambiente de juros altos, que favorece ETFs atrelados a CDI e taxas reais.

Veja mais: ETFs aceleram no Brasil e ampliam espaço na indústria de fundos.

E também: Bons e baratos: ETFs crescem 70% e viram a nova febre do mercado brasileiro.

Por que a comparação com os Estados Unidos tem limites.

Os ETFs brasileiros agora respondem por 1% da indústria de fundos, contra mais de 30% nos Estados Unidos – o que faz muitos analistas no mercado afirmarem que o Brasil replica, com atraso, a curva americana.

O gestor da XP Asset pondera essa leitura. Primeiro, o paralelo tributário não se aplica integralmente: no Brasil, todos os fundos são isentos na casca, enquanto nos EUA há diferenças de tratamento entre mutual funds e ETFs.

Segundo, o investidor brasileiro tem hoje acesso fácil a ETFs americanos diretamente, o que drena parte do fluxo que ficaria em produtos locais.

Por outro lado, o paralelo com os EUA se sustenta na direção da distribuição: menos foco em produto isolado e mais foco em carteira de alocação de longo prazo. “A gente está só no começo dessa transformação”, afirma Gabriel.

Por que os ETFs decolaram na renda fixa.

O segundo motivo está nos benefícios tributários e operacionais: isenção de IOF, alíquota fixa de 15% de imposto de renda (com exceção dos ETFs puro LFT), ausência de come-cotas – o que, segundo cálculos internos da XP Asset, faz um ETF rendendo 100% do CDI superar, no longo prazo, um fundo de crédito rendendo 107% do CDI – e liquidez D0/D1, sem necessidade de DARF.

Veja mais: A vantagem tributária que ajuda a explicar o avanço dos ETFs de renda fixa no Brasil.

E também: O que é melhor: 107,5% do CDI ou 100% do CDI.

Liquidez: por que olhar além do volume em tela.

Questionado sobre a liquidez desses produtos frente a títulos do Tesouro, o Gabriel afirma que, na prática, o produto é líquido. Os ETFs de renda fixa da XP Asset operam no modelo in-kind, recebendo e entregando os próprios títulos subjacentes nas aplicações e resgates.

O modelo in-kind faz o preço do ETF no mercado secundário não se descolar do valor patrimonial, por ser corrigido automaticamente por arbitradores. “A gente tem que olhar para a liquidez do ativo subjacente.

Todas as NTNBs negociam dezenas de bilhões por dia”, afirma.

No caso do ETF de Nasdaq, o mesmo raciocínio vale globalmente: a liquidez subjacente do QQQ, um dos ETFs mais negociados do mundo, é maior do que a do próprio Ibovespa.

Os lançamentos recentes da XP Asset têm taxas de administração de 0,15% ao ano no prefixado e 0,30% no ETF de small caps – bem abaixo da média da indústria, próxima de 0,5%.

O gestor descreve a lógica de precificação como estrutural ao próprio negócio de gestão indexada: diferentemente da gestão ativa, que demanda equipes grandes de análise, o trabalho de um ETF é replicar um índice com precisão.

No ETF de small caps, batizado XCAP, a XP Asset também alterou a metodologia de rebalanceamento para suavizar a entrada e saída de ativos que migram entre os índices small cap e large cap – uma mudança que, segundo backtest desde 2015, teria gerado excesso de retorno de 2,5% ao ano, ou 60% acumulado.

Modelo fee-based e ETFs: uma relação simbiótica.

Para Danilo Gabriel, a adoção crescente do modelo fee-based no Brasil – em que o cliente paga uma taxa fixa pela consultoria, e não comissões por produto – é causa e consequência da existência de uma grade ampla e barata de ETFs.

Veja mais: A renda fixa brasileira está desatualizada. A próxima década é dos ETFs.

E também: Renda extra, aposentadoria e mais: 13 ETFs para começar a investir.

ETFs custam pouco e podem entregar muito.

Apesar de baratos, os ETFs podem entregar alto retorno. O XH, ETF de S&P 500 dolarizado, foi até aqui um exemplo: em vez de comprar um ETF americano – e arcar com custos de gestão, custódia no exterior e retenção tributária –, a XP Asset montou sinteticamente a exposição usando caixa, CDI, futuro de S&P e exposição cambial via mercado futuro de dólar.

O resultado do XH, em uma janela de dez anos, superou o próprio S&P 500 em dólares: 440% de retorno acumulado contra 400% do índice original, beneficiando-se do cupom cambial embutido no dólar futuro.

ETFs farão seleção natural na gestão ativa.

Ao mesmo tempo que ETFs trazem baixo custo e bons retornos, a gestão ativa, na média, não supera os índices. Segundo o índice IVA da S&P, cerca de 85% dos gestores ativos de ações no Brasil não superam seus benchmarks no longo prazo – um número um pouco melhor que o americano (90%), mas na mesma direção.

Diante desses dois fatos, é inevitável perguntar: os ETFs ameaçam a existência da gestão ativa no Brasil? “A gente tem até mais gestoras do que os Estados Unidos, em número de assets, isso é uma loucura”, diz Danilo Gabriel.

Gabriel não acredita que os ETFs ameacem a gestão ativa como um todo, mas sim os gestores cujos produtos têm alto custo, baixa liquidez e retorno mediano. “O ETF vai fazer essa sanitização, essa limpeza do mercado”, afirma.

Em números

  • Superciclo dos ETFs: como o mercado saltou de R$ 50 bi para R$ 130 bi

Fontes

Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • InfoMoneylink

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