A Polícia Civil de São Paulo indiciou dois executivos do Goldman Sachs por suspeita de terem participado de um esquema de manipulação de mercado envolvendo um fundo de investimentos que é sócio da Oncoclínicas.
De acordo com o documento policial, Felipe Guerra Acosta, superintendente executivo do Goldman Sachs no Brasil, e Natan Lima Reinig, ex-membro do conselho de administração da rede de oncologia indicado pelo banco, teriam induzido a companhia, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e a B3 a erro sobre a real composição societária do fundo de investimentos Josephina.
O despacho de indiciamento foi assinado na sexta-feira (7) pelo delegado José Eduardo Jorge, da 15ª Delegacia de Polícia da capital, porém o documento só foi protocolado nesta segunda (10).
Segundo o documento, ao qual a Folha teve acesso, os dois executivos são indiciados pelos crimes de estelionato e de fraudes e abusos na administração de sociedade por ações.
A investigação apura se o Goldman escondeu, em prospectos e demonstrações financeiras divulgados ao mercado, que parte da fatia sempre atribuída ao banco na Oncoclínicas pertencia, na verdade, à gestora norte-americana Centaurus Capital.
As investigações querem descobrir se essa suposta omissão evitou a realização de uma OPA (oferta pública de aquisição de ações). No caso, trata-se da OPA prevista no estatuto da companhia, que obriga o investidor que ultrapassa determinado percentual do capital a fazer uma oferta de compra aos demais acionistas.
Cláusulas desse tipo, conhecidas como poison pills, servem para proteger os minoritários da concentração gradual de participação sem pagamento de prêmio.
Em nota, o Goldman Sachs negou irregularidades. "Essas alegações da Latache não têm fundamento. Continuamos acreditando que agimos de forma adequada.
A movimentação contra o Goldman Sachs e a Centaurus teve início com a gestora Latache, que hoje detém 14,5% das ações da Oncoclínicas. O documento, no entanto, não cita a gestora no caso.
O núcleo da investigação é uma correspondência datada de 4 de novembro de 2024, assinada por Acosta e Reinig e endereçada à Oncoclínicas. Nela, os dois afirmam que a criação do fundo Josephina III, veículo utilizado para reorganizar a participação do Goldman e da Centaurus na companhia, teria segregado interesses de investidores indiretos que já eram detidos pela Centaurus.
Com base nessa tese, os executivos sustentaram que não havia obrigação de disparar a cláusula de poison pill nem realizar uma OPA.
Para o delegado, no entanto, a versão contradiz o que o próprio Goldman informou ao mercado quando a Oncoclínicas abriu capital, em 2021. No prospecto de IPO, que teve o banco como coordenador líder da oferta, o Goldman era listado como titular indireto de 100% das cotas dos fundos Josephina I e II, sem qualquer menção à Centaurus como titular indireta relevante.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mercado, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.