O mercado iniciou o mês passado à espera da temida volatilidade que costuma anteceder as eleições, mas a cautela rapidamente deu lugar a um certo otimismo após pesquisas de intenção de voto mostrarem uma disputa mais acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
A Bolsa, o câmbio e o mercado de juros, que já traziam sinais de melhora na semana passada, têm uma nova onda de apreciação nesta terça-feira (8), após a Quaest mostrar empate no segundo turno, e a BTG/Nexus trazer o primeiro efeito da crise no Supremo Tribunal Federal, com Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno.
Para a Quantitas Asset Management, o imbróglio no STF envolvendo a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, além do caso Lulinha, são mais benéficos à candidatura de Flávio.
Por isso, levando em conta a reação das pesquisas, “é razoável atribuir a Flávio Bolsonaro, pelo menos, 50% de chance de vitória, com viés de alta”.
Vale a pena travar juro da renda fixa agora? IPCA desta sexta vira teste de fogo.
Prévia de agosto trouxe deflação e reacendeu a aposta em juros menores, mas economistas divergem sobre alongar prazos ou preservar liquidez; errar a mão pode custar até 5% dependendo do papel.
Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com eleição e Focus no radar.
Bolsas dos EUA operam em baixa em meio à alta do petróleo.
Na avaliação da Legacy Capital, mesmo com o ambiente externo mais incerto, os fatores domésticos “justificam alguma exposição ao país em nosso portfólio”. Para diversas gestoras, como Ibiuna e Verde, a exposição ao Brasil vem sendo feita principalmente por meio de opções de EWZ, consideradas mais baratas de operar, frente à compra direta de ações ou índice na B3 – se a aposta em um governo de direita se confirmar, o ganho seria alto, ao passo que a perda não seria tamanha em caso de reeleição do presidente Lula.
Além das eleições, ajuda a expectativa de uma acomodação da inflação, que pode permitir uma queda mais acelerada da Selic – e ajudar tanto a renda fixa quanto a Bolsa.
Diante disso, o Bank of America acaba de elevar a recomendação para ações brasileiras, de neutro para overweight (equivalente a compra), citando a chance de um recuo mais forte da taxa de juros, para até 11,25% em 2027.
No câmbio, o JPMorgan aponta a dinâmica fiscal como a principal fonte de preocupação, e afirma que “os planos em torno dela vão ditar a reação do mercado aos resultados eleitorais”, com o estágio do ciclo global do dólar atuando como fator adicional relevante.
O posicionamento reflete uma aposta em valorização moderada do real, que perde eficácia caso a moeda se aprecie muito além dos 4,80.
Já no mercado de títulos, o banco não vê distorção a ser explorada: “vemos os mercados de juros precificando com acurácia os riscos eleitorais e o espaço para volatilidade significativa à frente”, afirmam os analistas de mercados emergentes do banco, Tania Jacob, Gisela Brant, Santiago Calcano e Anezka Christovova.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…