A economia brasileira roda sem folga produtiva e opera acima do seu limite estrutural de crescimento desde o primeiro trimestre de 2024. O diagnóstico de uma atividade aquecida, que aponta a ausência de capacidade ociosa relevante e a presença de pressões cíclicas, foi consolidado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) após uma ampla revisão na forma de medir o fôlego da economia do país.
Segundo a nova estimativa, a sobrecarga sobre a capacidade de produção atingiu a marca de 1,0% no início de 2025, desacelerando de forma marginal para 0,9% no primeiro trimestre de 2026.
Hiato do produto acende sinal de alertaEsses percentuais representam o chamado hiato do produto, um termômetro macroeconômico que mede a diferença entre a riqueza que o país efetivamente produz, captado pelo Produto Interno Bruto (PIB) real, e o seu PIB potencial, que estabelece o teto do que pode ser gerado sem causar desequilíbrios, como pressões inflacionárias.
Quando o indicador entra no campo positivo, acende-se o sinal de alerta, porque significa que a economia está exigindo mais do que suas bases estruturais, ou fatores tendenciais, suportam entregar de forma sustentável.
Terra e energia entram na conta do PIB.
A constatação desse cenário ganhou mais precisão devido a uma mudança na metodologia da estatística. Tradicionalmente, os economistas calculam a capacidade produtiva por meio da função de produção, uma fórmula que projeta o teto de crescimento cruzando a força de trabalho disponível e o estoque de capital físico, como máquinas e infraestrutura.
A grande novidade metodológica da IFI foi expandir essa equação para incluir o peso do capital natural, reconhecendo o estoque de ativos ambientais como um insumo direto para o mercado.
Na prática, a conta passou a quantificar a área colhida das lavouras e o consumo de energia elétrica como motores primários da atividade nacional.
Com essa mudança, a distribuição dos fatores de produção passou a atribuir 43,87% ao fator trabalho, 33,76% ao capital físico, 12,98% à área colhida (uso da terra) e 9,40% ao consumo de energia.
Ele pontua, no entanto, que que o modelo atual é “uma especificação inicial e não exaustiva”, que poderá ser aperfeiçoada no futuro.
Essa ancoragem em dados físicos e observáveis resolve uma falha dos modelos macroeconômicos tradicionais. Anteriormente, qualquer expansão do PIB que não fosse diretamente explicada pelo aumento de mão de obra ou de maquinário recaía em uma rubrica residual chamada Produtividade Total dos Fatores (PTF).
Esse componente de eficiência técnica era altamente instável, sofrendo oscilações bruscas que distorciam a realidade em momentos de choque, como no auge da pandemia em 2020.
Ao redistribuir a origem do crescimento, dando o devido peso às terras agricultáveis e à matriz energética, a dependência excessiva desse fator residual diminui e as projeções ganham consistência.
Ainda assim, como projetar o limite ideal de uma economia envolve variáveis invisíveis a olho nu, o órgão construiu um escudo contra distorções estatísticas. O percentual final divulgado deixou de espelhar uma única fórmula e passou a refletir a mediana de diversos métodos — univariados, multivariados e a própria função de produção expandida.
O resultado central ainda é filtrado por intervalos de plausibilidade para barrar valores extremos. Segundo Curi, essa combinação de técnicas e travas garante uma leitura mais “robusta, transparente e prudente da posição cíclica da economia brasileira”.
Fontes
Informação baseada em material público de InfoMoney, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.